Massacre no Iêmen gera promessas de vingança e críticas internacionais

Khaled Abdullah.

Sana, 9 out (EFE).- O massacre de 140 pessoas em um bombardeio contra o funeral da mãe de um ministro rebelde iemenita em Sana fez surgir promessas de vingança e críticas internacionais, apesar da coalizão árabe, grupo responsabilizado pelo ataque, negar a ação e prometer investigar o caso.

O líder do movimento rebelde dos houthis, Abdul-Malik al-Houthi, pediu neste domingo para que os iemenitas vinguem às vítimas e lutem contra a Arábia Saudita, que lidera dita aliança. Em discurso exibido na TV, ele pediu que as pessoas que moram em zonas sob o controle rebelde se armem e se dirigiam às fronteiras com a Arábia Saudita.

"Hoje, temos uma responsabilidade religiosa perante Deus, temos que nos preparar para a guerra. Que este seja o espírito geral para todo o povo", afirmou o líder rebelde.

Para ele, o bombardeio foi feito pela coalizão, já que está "documentado com câmaras".

"Existem provas claras e isto é um grande crime no centro de Sana, em um evento social", declarou.

Horas antes, o ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, aliado dos rebeldes houthis xiitas, clamou vingança contra a Arábia Saudita e também pediu para se armarem e irem às fronteiras com a Arábia Saudita. Seu discurso também foi transmitido pela TV iemita e nele Saleh pediu aos Ministérios de Interior e Defesa, assim como ao chefe do Estado- Maior, para que comecem agilizem todos os preparativos para acolher os combatentes nas frentes das regiões de fronteira.

Além disso, pediu aos demais países para tomar uma posição e acabar com o conflito em seu país.

"Convido à comunidade internacional a assumir sua responsabilidade pelos massacres que ocorrem no Iêmen", declarou.

Foi então que começaram a chegar às críticas sobre o massacre.

Em comunicado, o coordenador para Assuntos Humanitários das Nações Unidas no Iêmen, Jamie McGoldrick, condenou "inequivocamente este horrível ataque". Ele afirmou que o número de feridos causados no atentado foi de 525 e apresentou suas condolências aos familiares das vítimas, além de exigir uma investigação sobre o ocorrido.

O governo dos Estados Unidos também denunciou o massacre e adiantou que vai reavaliar seu apoio à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Ned Price, advertiu em comunicado que "a cooperação de segurança dos Estados Unidos com a Arábia Saudita não é um cheque em branco". Segundo ele, o Executivo americano está "muito abalado" com o que aconteceu.

O Ministério das Relações Exteriores da França condenou em comunicado o massacre e pediu às partes envolvidas no conflito para respeitar o direito humanitário e à busca de "uma solução política".

Além disso, milhares de manifestantes, convocados pelos rebeldes houthis, se reuniram neste domingo na frente da sede da ONU para condenar o ataque. No protesto, as pessoas gritaram frases contra a coalizão árabe e dos Estados Unidos.

Por sua vez, a aliança liderada pelo governo saudita negou ser a responsável pelo massacre e prometeu uma investigação para esclarecer o que aconteceu. Em comunicado divulgado hoje pela agência oficial saudita de notícias, "SPA", o comando da coalizão árabe anunciou que fornecerá uma equipe de investigadores e todos os dados relacionadas às operações militares realizadas ontem em Sana e seus arredores.

A coordenação da aliança ressaltou que seus militares têm instruções "claras e expressas para não incluir como alvo os lugares civis e de fazer todo o possível para protegê-los de qualquer perigo".

A coalizão árabe participa da guerra civil iemenita desde março de 2015 em apoio ao presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi, que vive exilado em Riad.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos