Danos do furacão ainda deixam comunidades incomunicáveis no sul do Haiti

María Montecelos.

Les Cayes (Haiti), 10 out (EFE).- Os danos ocasionados pela devastadora passagem do furacão "Matthew" ainda mantêm sem energia elétrica as comunidades mais castigadas no sul do Haiti, o que agrava a situação dos afetados.

Um dos problemas derivados da falta de comunicações é que os moradores do Departamento Sul têm grandes dificuldades para ter acesso às remessas que enviadas por seus parentes, principalmente de Estados Unidos e Canadá.

Os escritórios que podem proporcionar o serviço têm a suas portas dezenas de pessoas, mas a quantidade de dinheiro não é suficiente para todos.

Os problemas meramente logísticos não fazem mais que piorar a situação dos afetados, que dependem da ajuda internacional que está sendo distribuída.

Enquanto isso, na capital Porto Príncipe se vive uma aparente e estranha normalidade menos de uma semana depois da passagem de "Matthew", cujo impacto gerou uma grande crise humanitária no país, que não tinha conseguido se recuperar ainda dos devastadores efeitos do terremoto de 2010.

O primeiro vestígio evidente que fica da tragédia em direção ao sudoeste está a cerca de 50 quilômetros da capital, ao chegar ao rio La Digue. A ponte que o cruzava sucumbiu aos efeitos do furacão, e manteve incomunicáveis por estrada os Departamentos Sul e Sudoeste até quinta-feira.

Em alguns poucos dias, o nível de água já desceu o suficiente para que se possa atravessá-lo, inclusive em motocicleta, e a estrada é transitável para os veículos, incluindo os mais necessários deles, os das organizações de ajuda humanitária.

Ainda estão sendo reparados os postes do tecido elétrico e a rota já está bastante espaçosa de escombros; enquanto nas margens da via se amontoaram pedras de diferentes tamanhos e galhos, ficando como provas dos fortes ventos os cultivos de banana danificados e muita vegetação mutilada.

Os vendedores ambulantes oferecem seus produtos aos viajantes e, nos povoados, as barracas de comércio na rua estão postadas em ambos lados da estrada como o estão sempre.

Em Les Cayes, os hotéis melhores equipados estão lotados após a chegada dos membros das ONGs que deslocaram equipes ao país para avaliar e atuar.

Jornalistas de veículos de comunicação internacionais também têm ali suas bases de operações e, ao ver movimento nos estabelecimentos hoteleiros, um artesão com um louvável excesso de otimismo os tomou por turistas e tentou vender seus produtos.

Joseph, que vende artigos feitos à mão na entrada de um hotel, abordou alguns hóspedes recém chegados que buscavam quarto e lhes mostrou orgulhoso suas pulseiras e pinturas, com a esperança que comprassem algo.

Onde é impossível que se produza um equívoco semelhante é em Jeremie, no sudoeste, onde a devastação é tal que a cidade, onde havia lindos exemplos de arquitetura colonial, está completamente irreconhecível.

Ali, o cólera já está assolando a população, e a doença ameaça somar mais mortos à terrível lista de "Matthew" no Haiti.

O Haiti vive nesta segunda-feira o segundo dia de luto oficial que o governo decretou pelas centenas de vítimas mortais do furacão "Matthew", fenômeno que também paralisou um processo eleitoral de vital importância para conseguir a estabilidade política no país, e que deveria ter acontecido ontem.

Em Porto Príncipe, a atividade dominical parecia a de outro domingo qualquer, com poucos sinais de ser uma jornada de luto, e nem sequer as bandeiras da praça Champ Mars, que rodeia o Palácio Nacional, estavam a meio mastro no começo da manhã.

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