Ex-detento de Guantánamo refugiado no Uruguai volta a entrar em coma

Montevidéu, 10 out (EFE).- Jihad Ahmad Diyab, o ex-detento de Guantánamo refugiado no Uruguai, entrou nesta segunda-feira em um "coma superficial" devido à greve de fome que realiza, situação na qual já ficou em meados de setembro, confirmou à Agência Efe um grupo de pessoas próximas do sírio.

Sua situação é "mais grave que a registrada no mês passado porque se somam dias de greve de fome e greve seca", afirmou ao jornal local "El Observador" uma das profissionais do Sindicato Médico do Uruguai (SMU), Julia Galzerano, que atendeu o sírio em seu domicílio do centro de Montevidéu nesta segunda-feira.

Diyab está inconsciente e está sendo hidratado com soro fisiológico pelos médicos da Administração de Serviços de Saúde do Estado (ASSE) e do SMU, disseram à Efe pessoas próximas do sírio.

Além disso, o grupo "Vigília por Jihad Diyab", que faz parte do entorno do sírio, anunciou hoje em comunicado que "a greve de fome continua", já que assim o próprio deixou estabelecido antes de entrar em estado de inconsciência.

Neste momento, integrantes de dito grupo são os que decidem pela saúde de Diyab.

"Está em um coma superficial, o que quer dizer que não tem um comprometimento neurológico importante. Foram realizados vários exames (sangue, glicemia e função renal) que tiveram bons resultados", afirmou Galzerano ao "Observador".

Diyab tinha passado por um episódio similar em meados de setembro, quando caiu em um estado de inconsciência depois de desmaiar.

Este último incidente também esteve relacionado com a decisão de Diyab de suspender o consumo de alimentos e a ingestão de líquidos, medidas que realiza em sinal de protesto e na busca de se reunir com sua família em um país do mundo árabe ou que conte com uma comunidade muçulmana numerosa.

Na semana passada, Diyab solicitou à Comissão de Refugiados (Core) quatro cartas assinadas pelo chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, dirigidas às embaixadas de Turquia, Venezuela, Líbano e Catar nas quais ficasse constância que não existem impedimentos legais para que possa viajar para esses países.

Apesar de as autoridades uruguaias terem negociado com diferentes países para encontrar uma solução para sua situação, as conversas não deram frutos e nações como Líbano, Catar, Venezuela e Turquia se recusaram a acolhê-lo.

O refugiado havia deixado o Uruguai em junho e, no fim do mês seguinte, se apresentou no consulado uruguaio em Caracas, onde pediu apoio a suas reivindicações, mas na saída da sede diplomática foi detido por autoridades da Venezuela e deportado ao Uruguai semanas depois.

Em seu caminho à Venezuela, Diyab passou pelo Brasil, quando causou o alerta das autoridades, que temiam a realização de um atentado durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Junto com outros três sírios, um tunisiano e um palestino, Diyab foi recebido no Uruguai em dezembro de 2014 como parte do compromisso do então presidente do país, José Mujica, de colaborar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no plano de fechamento da penitenciária de Guantánamo.

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