Bandeira gigante com nomes de vítimas do conflito cobre praça de Bogotá

Bogotá, 11 out (EFE).- Uma gigantesca bandeira branca composta por retalhos nos quais são ressaltados em preto os nomes de milhares de vítimas do conflito armado na Colômbia cobriu nesta terça-feira a Praça de Bolívar em Bogotá como um exercício de memória e perdão.

A iniciativa da escultora colombiana Doris Salcedo, jovens vinculados a esta encenação e transeuntes completavam os 7.000 metros de tela branca que cobriu durante o dia todo esta praça, localizada no coração de Bogotá, em frente ao Congresso e a poucos passos da sede da presidência.

"A ação de paz consiste em convocar a população de todo o país para que venha à Praça de Bolívar para tecer os nomes das vítimas, com muito cuidado, cada um em silêncio", disse a jornalistas María Belém Sáez de Ibarra, porta-voz da atividade.

Sáez de Ibarra afirmou que com este exercício se busca "superar a indignação para avançar e ressurgir" das cinzas, e disse confiar que encoraje os colombianos a "deixar de falar tanto e pensar que o importante é que não haja nem uma só vítima a mais".

"Aqui sim há união (...) um faz uma coisa, o outro faz outra e isso é o que quer o povo colombiano, que haja união", declarou à Efe Olga Giraldo, uma das presentes ao evento e vítima do conflito armado.

Outro dos participantes foi o designer e artista visual Nicolás Almánzar, que considerou que com esta atividade estão "construindo uma ação coletiva em torno das vítimas, do momento do país e de como construir a paz".

A bandeira foi estendida sobre o acinzentado asfalto da Praça de Bolívar, onde jovens pernoitam em cerca de 30 barracas para pedir que se chegue em breve a consensos em torno do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), rejeitado no referendo do último dia 2 de outubro.

A iniciativa de hoje começou na quinta-feira passada na Universidade Nacional de Bogotá, onde estudantes e voluntários escreveram com cinza os nomes das vítimas do conflito de uma lista aleatória fornecida pelo Centro Nacional de memória Histórica.

Segundo dados dessa entidade, o conflito armado colombiano deixou 220.000 mortos, 25.000 desaparecidos, 5,7 milhões de deslocados e 27.000 sequestrados.

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