Obama planeja "resposta proporcional" aos ataques cibernéticos da Rússia

Washington, 11 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está considerando uma "resposta proporcional" aos ataques cibernéticos que, segundo seu governo, a Rússia realizou contra pessoas e instituições americanas para interferir nas eleições presidenciais de 8 de novembro, informou nesta terça-feira a Casa Branca.

Na sexta-feira passada, o governo de Obama acusou oficialmente à Rússia pelos ataques, que entre outras coisas facilitaram a publicação de 20.000 e-mails do Comitê Nacional Democrata (DNC) pelo portal Wikileaks.

"O presidente tem disponíveis uma série de respostas, e considerará uma resposta que seja proporcional, embora seja improvável que a torne pública antes de realizá-la", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em declarações aos jornalistas no avião presidencial Air Force One.

"(Obama) já falou em várias ocasiões sobre a significativa capacidade que os Estados Unidos têm tanto para defender nossos sistemas em casa como para lançar operações ofensivas em outros países", acrescentou Earnest.

O governo americano acredita que "só os mais altos funcionários da Rússia poderiam ter autorizado" os ataques, segundo indicaram nesta sexta-feira em comunicado o Departamento de Segurança Nacional e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, James Clapper.

A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, já havia acusado à Rússia no último mês de julho pelo ataque cibernético cometido contra o DNC, que revelou estratégias desse comitê para debilitar o senador Bernie Sanders durante as eleições primárias.

Obama considerou então "possível" que Moscou estivesse por trás do vazamento, e seu governo esteve investigando essa possibilidade até publicar suas conclusões na sexta-feira.

A acusação direta à Rússia de tentar influenciar as eleições americanos torna "difícil" que a Casa Branca possa realmente dar uma resposta "proporcional", segundo Ian Bremmer, um especialista em riscos políticos da Universidade de Nova York que preside a empresa de consultoria Eurasia Group.

"Não tem muito sentido que os Estados Unidos tentem deslegitimar as eleições russas ou, por exemplo, divulguem informação sobre a corrupção no entorno do Kremlin", declarou Bremmer em um e-mail enviado à Agência Efe.

"É provável que (os EUA) imponham mais sanções para prejudicar a economia russa, em particular contra os indivíduos e companhias envolvidos nestes ciberataques", disse Bremmer, que também prevê ataques "destrutivos" para "afetar ou danar temporariamente algumas áreas da internet relacionadas com o governo" russo.

Segundo o especialista, no entanto, não está nada claro que essas ações possam ter um "poder dissuasório eficaz" para Moscou, dado que o presidente russo, Vladimir Putin, tem poucas restrições a seu poder e "o sentimento antiamericano continua sendo popular" na Rússia.

Para os Estados Unidos também não interessa lançar "um ataque que verdadeiramente danifique" a infraestrutura cibernética russa, porque agora "considera a Rússia um igual em suas capacidades ofensivas no ciberespaço" e isso "poderia gerar represálias" que não convêm a Washington, opinou Bremmer.

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