Operação internacional desmonta rede de narcotráfico que armava jihadistas

Madri, 11 out (EFE).- Mais de cem detidos, 11.400 armas e dez toneladas de explosivos apreendidas, além de um milhão de cartuchos e cem toneladas de haxixe: este é o resultado de uma operação internacional contra uma rede que financiava jihadistas em países do Mediterrâneo.

Esta operação aconteceu graças ao trabalho conjunto de Espanha, Itália, França e Grécia, coordenados pela Europol e com a colaboração da DEA americana.

De acordo com as investigações, que começaram em 2013, a organização criminosa administrava navios carregados de droga que saíam da Turquia com destino à Líbia e Egito.

Com a droga, a organização financiava a compra de armas destinadas a grupos jihadistas assentados em países da bacia mediterrânea, entre eles a Líbia.

Segundo informou nesta terça-feira a Guarda Civil espanhola, desde o início da operação foram interceptados sete navios, cinco deles carregados com drogas e dois com armas, todos procedentes da Turquia, onde a rede contava com logística.

Os navios eram adquiridos em leilões quando já estavam praticamente para o desmantelamento e, portanto, a preços muito baixos.

Um deles, que continha uma bandeira boliviana quando foi interceptado, contava com uma carga de 5 mil armas longas e 500 mil cartuchos.

Essa embarcação esteve abandonada durante anos no porto espanhol de Málaga e foi adquirida em 2014 por um empresário sírio-libanês.

Outra embarcação foi interceptada pelas forças de segurança gregas, com bandeira do Togo, com 6,4 mil armas longas, 570 mil cartuchos e 10 toneladas de nitrato de amoníaco, cujo destino final era a cidade líbia de Misrata, reduto do califado islâmico.

Os investigadores constataram que após a saída dos navios da Turquia, a droga, procedente principalmente do Marrocos, era carregada em alto-mar para depois se dirigir rumo a águas do Mediterrâneo com destino à Líbia e Egito fundamentalmente.

Mas esta rede também utilizava a via terrestre para o transporte de haxixe desde o Marrocos e através do Sahel, atravessando Mauritânia, Mali e Nigéria para chegar à Líbia, desde onde era distribuída sobretudo ao Egito.

A colaboração da Guarda Civil espanhola com a Gendarmaria marroquina fez possível realizar diversas intervenções de caminhões no país norte-africano e, inclusive, permitiu deter na Espanha um dos principais membros da rede.

Uma destas operações aconteceu em setembro do ano passado, com a intercepção de um caminhão com quase 10 toneladas de haxixe que se dirigia desde o Marrocos à Mauritânia.

Já neste ano, a Guarda Civil descobriu outros dois caminhões na Espanha com quase meia tonelada cada um, embora as maiores partes eram transportadas nos navios.

No total, foram expropriados desde o início da operação 100 toneladas de haxixe.

A última das intervenções desta operação aconteceu recentemente com a abordagem de uma embarcação de bandeira panamenha, o Martí N., que transportava quase 20 toneladas de haxixe rumo à Líbia entre uma carga legal de madeira.

O ataque permitiu deter 12 tripulantes: 11 ucranianos e um do Uzbequistão, que já estão na prisão.

Até agora foram detidas 109 pessoas em toda a operação pelas distintas policiais, todos homens, de entre 30 e 40 anos.

Deles, 34 são sírios, 26 marroquinos e 14 espanhóis. Além disso, há turcos, indianos e egípcios, entre outras nacionalidades.

Segundo o tenente-coronel Javier Rogero, porta-voz da Guarda Civil espanhola, a maioria faz parte das tripulações, envolvidos para obter um benefício econômico e não por ser adeptos à causa jihadista ou insurgente.

Tudo comprova que o trânsito ilícito de droga está servindo para financiar os insurgentes no norte da África e no Oriente Médio, assim como ao terrorismo jihadista, recalcou o tenente-coronel Rogero.

Como exemplo Rogero citou a recente atuação das forças de segurança egípcias que, em colaboração com a Grécia, interceptaram uma embarcação com 750 quilos de haxixe (outra quantidade pode ter sido jogada no mar) e 1,2 milhões de pastilhas de Captagon, a droga tomada pelos jihadistas antes de atuar em Paris.

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