Argentina diz que acordo com Mercosul ajudará UE a fortalecer projeto europeu

Bruxelas, 12 out (EFE).- O acordo de associação com o Mercosul pode ser uma oportunidade para que a União Europeia (UE) mostre que seu projeto de bloco continua dinâmico diante de desafios como o "Brexit" e as críticas da opinião pública, avaliou nesta quarta-feira o secretário de Comércio da Argentina, Miguel Braun.

"Me pergunto se esse acordo não é uma oportunidade para que a UE mostre que o projeto europeu ainda é dinâmico e avança em busca de mais integração", disse Braun em entrevista coletiva realizada em Bruxelas, na Bélgica, onde negociadores dos dois blocos se reúnem.

"O Mercosul avançou para melhorar sua oferta sobre a mesa e estamos otimistas que podemos trabalhar para conseguir um acordo melhor", completou o político argentino.

Bruxelas recebe nesta semana a primeira rodada de negociações entre UE e Mercosul desde que os blocos trocaram ofertas comerciais no último dia 11 de maio.

"Do ponto de vista do Mercosul, estamos muito otimistas de conseguir o acordo. É factível concluirmos tudo no final de 2017, já que há convicção entre líderes políticos, empresários e grande parte das pessoas sobre a necessidade de mais integração na economia global, melhorar nossa tecnologia, ter empregos do século XXI e mais investimentos", disse Braun.

Na avaliação do secretário de Comércio da Argentina, o acordo, que inclui um tratado de livre-comércio, pode ajudar a UE a fortalecer seu projeto europeu diante de crises como a decisão do Reino Unido de deixar o bloco.

"Por enquanto, o Reino Unido segue fazendo parte da UE e nós estamos negociando com o conjunto da UE. Mas, certamente, o "Brexit" reduz o tamanho do mercado. Devemos enfrentar alguns desafios recalculando o impacto da oferta, mas também estamos abertos a discutir um futuro potencial acordo com o Reino Unido", explicou.

Perguntado sobre o efeito do acordo entre UE e Mercosul na desaceleração das negociações entre Europa e Estados Unidos quanto ao Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos (TTIP, na sigla em inglês), Braun ressaltou que está dialogando sobre o que é melhor para os dois blocos, independentemente de outras conversas em andamento envolvendo os países europeus.

"Não podemos especular sobre quão rápido outros acordos comerciais da UE serão firmados. Temos que nos concentrar no que vemos que são oportunidades-chave para ambas as regiões", afirmou.

Braun reconheceu que os acordos são vistos de maneira geral como um "desafio a opinião pública". Além disso, disse que os especialistas em comércio têm que fazer um melhor trabalho na hora de explicar que esse tipo de pacto é bom para a maioria das pessoas.

"É muito difícil dizer a alguém que um acordo comercial é bom para ele quando a reação imediata é vê-lo como um risco. Por isso, os governos têm que trabalhar em políticas complementares aos tratados comerciais, para fazer que funcionem para todos, não só para os interesses ofensivos", destacou.

"Há setores que enfrentarão uma concorrência dura da UE, especialmente alguns industriais, mas estamos trabalhando com esses setores para fazer uma oferta tão positiva quanto possível, que será complementada com outras políticas. Esperamos que a UE faça algo similar, e que isso amplie ao máximo as possibilidades de o acordo passar pelo processo político", avaliou o secretário argentino.

Braun afirmou que há muito consenso entre os quatro países fundadores do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - para expandir o acesso aos mercados, melhorar os padrões de nossas empresas e permitir, especialmente às pequenas e médias empresas, se envolver em cadeias globais de valor.

Sobre a Venezuela, o subsecretário argentino para Mercosul e Integração Americana, Daniel Raimondi, afirmou, por sua vez, que foi oferecida ao país a possibilidade de participar das negociações com a UE, mas Caracas rejeitou a proposta.

"De maneira nenhuma (a Venezuela) será um obstáculo no processo de negociação com a UE", disse Raimondi.

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