Lenta distribuição de ajuda humanitária ameaça agravar crise no Haiti

Porto Príncipe, 12 out (EFE).- A lenta distribuição de ajuda aos afetados pela passagem do furacão Matthew no Haiti ameaça agravar a crise humanitária vivida pelo país, que precisa com urgência de água, alimentos e remédios para atender 1,4 milhão de pessoas.

Oito dias depois da nova tragédia sofrida pelo país, o Haiti continua sofrendo com uma destruição que demanda auxílio urgente para evitar a expansão de doenças como a cólera, que deixou milhares de mortos após o terremoto registrado em 2010.

Os últimos dados divulgados ontem pela Defesa Civil indicam que o furacão Matthew provocou a morte de 473, além de ter deixado outras 339 feridas e 75 desaparecidos. Além disso, 175 mil pessoas tiveram que deixar suas casas e estão hospedadas em 224 refúgios. Outras fontes locais, porém, elevam para 800 o número de mortos.

Vários países como os Estados Unidos, o Brasil e a República Dominicana estão enviando ajuda ao Haiti desde a última terça-feira, quando o potente furacão descarregou sua fúria especialmente na região sul. O difícil acesso às áreas afetadas, no entanto, fez com que o auxílio seja distribuído praticamente a conta-gotas.

Apesar da chegada de ajuda humanitária, o desespero começa a estender entre a população de Jeremie, no sudoeste do país, por causa da falta de água potável e alimentos.

A Polícia Nacional do Haiti patrulha constantemente a cidade e as estradas próximas, sem receio de agir ao menor sinal de revolta, como a ocorrida ontem, quando um grupo de homens bloqueou uma das ruas de acesso ao município. Parte deles foram detidos pela montagem das barricadas, que tinham como objetivo exigir a entrega dos alimentos que parecem nunca chegar às suas mãos.

O ministro do Interior do Haiti, François Anick Joseph, afirmou hoje que a prioridade é atender à necessidade de água, alimentos e remédios para as pessoas nas regiões afetadas. Depois, o governo passará para etapa de reconstrução das estruturas destruídas.

Mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas pelo furacão, que causou danos em sete dos dez departamentos do país e em pelo menos 90 municípios, de acordo com a Defesa Civil. Além disso, entre 60% e 90% das plantações foram destruídas. A indústria pesqueira interrompeu as atividades por causa dos danos aos barcos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), temendo um aumento dos casos de cólera, prepara o envio de 1 milhão de vacinas para ajudar a evitar a propagação da doença já que a poluição da água devido às inundações poderia catalisar o contágio.

O Ministério da Saúde Pública do Haiti afirmou ontem que pelo menos 20 pessoas já morreram por causa da doença desde a passagem do furacão Matthew pelas regiões sul e sudoeste. Outros 179 casos foram registrados pelas autoridades locais.

O furacão também obrigou a Justiça Eleitoral a adiar o pleito geral previsto para ocorrer no país no último domingo.

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