May indica que Reino Unido buscará "máximo acesso" ao mercado único europeu

Londres, 12 out (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, garantiu nesta quarta-feira que vai buscar "o máximo acesso" ao mercado único europeu nas negociações com Bruxelas para a saída da União Europeia (UE), mas sem renunciar ao controle das fronteiras.

May disse que pretende obter "o acordo adequado para operar e comerciar" com a UE depois do "Brexit", mas comentou que não iniciará a negociação pensando em quais aspectos da relação atual "poderão ser conservados".

"O que vamos fazer é sermos ambiciosos em nossas negociações para conseguir o melhor acordo para o povo britânico, e isso inclui o máximo acesso possível ao mercado europeu, para que as empresas possam operar e comerciar", declarou a premiê, durante seu pronunciamento semanal na Câmara dos Comuns.

"Também sei que o voto dos britânicos é um recado de que devemos controlar o movimento de pessoas da UE para o Reino Unido", acrescentou a chefe de governo, que foi interpelada pelo líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn.

Em seu primeiro comparecimento desde que foi reeleito como líder da oposição, Corbyn acusou o Executivo de não ter "nenhum plano, nem estratégia" para o "Brexit" e de agir "sem transparência", evitando o escrutínio parlamentar.

"Os empregos e a renda de milhões de pessoas estão em jogo, a libra está desabando, as empresas estão preocupadas e o governo não tem respostas", afirmou o líder trabalhista.

Nos últimos dias, a pressão aumentou sobre May para que ela esclareça sua posição sobre as negociações do "Brexit", que ela já havia antecipado que começariam antes de fim de março de 2017.

Os grupos de pressão empresariais insistem nos efeitos negativos de um "Brexit" rígido, que consiste em um rompimento contundente com a EU, que implicaria a saída do mercado único, enquanto a libra esterlina vem caindo diante da possibilidade da perda de acesso ao mercado comunitário.

Por outro lado, a oposição trabalhista, junto com outros partidos, pediu a May que submeta à votação parlamentar os termos da negociação com Bruxelas, algo que ela, em princípio, se nega com o argumento de que isso equivaleria a revelar suas cartas.

Em outra tentativa de controlar o processo, os deputados britânicos discutem hoje na Câmara dos Comuns uma moção apresentada pelo Partido Trabalhista que pede ao governo que lhes permita exercer "um acompanhamento adequado" da estratégia de negociação.

O Executivo de May insiste que manterá os parlamentares informados e introduziu uma emenda a esse texto, que foi aceita pela oposição, especificando que "as negociações devem respeitar a decisão" do povo britânico no referendo de 23 de junho e que o acompanhamento do parlamento não deve "minar a posição negociadora".

Antes deste debate, os trabalhistas enviaram 170 perguntas à primeira-ministra relacionadas com o "Brexit", a fim de conhecer suas intenções antes da ativação em março de 2017 do artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dará início às conversas com Bruxelas.

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