Trump chama de "ficção" denúncias de assédio sexual publicadas por jornal

Washington, 12 out (EFE).- A campanha do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quarta-feira como "ficção" uma matéria do "The New York Times" que contém o testemunho de duas mulheres que acusam o empresário de abuso sexual.

"Todo este artigo é ficção. E para o 'The New York Times' lançar uma difamação coordenada e completamente falsa contra Trump é perigoso", disse em nota o porta-voz da campanha, Jason Miller.

"Ir décadas atrás em uma tentativa de manchar Trump banaliza o assédio sexual e estabelece um novo ponto baixo de até onde os veículos de imprensa estão dispostos a chegar em seus esforços para determinar esta eleição", acrescentou Miller.

O principal jornal norte-americano publicou hoje, dias depois da aparição de um vídeo do empresário que causou um terremoto em sua campanha, um artigo no qual duas mulheres denunciam que Trump abusou sexualmente delas há anos.

Jessica Leeds, atualmente com 74 anos, disse ao jornal nova-iorquino que em 1980 o empresário, sentado na primeira classe ao lado dela em um voo com destino a Nova York, tocou os seus seios e tentou colocar a mão por debaixo da sua saia alguns minutos após a decolagem. "Era como um polvo", definiu Jessica, que saiu correndo e se mudou para uma das últimas fileiras do avião.

O segundo depoimento é o da jovem Rachel Crooks. O assédio teria ocorrido no elevador da Trump Tower, em Manhattan, em 2005. Ela explicou ao diário que se apresentou ao magnata ao entrar com ele no elevador e dado que sua empresa fazia negócios com a dele. Segundo ela, a resposta de Trump foi um beijo na boca.

"Me beijou diretamente na boca. Foi muito inadequado", contou Rachel, que enfatizou que não foi um acidente, mas sim uma agressão.

Na gravação polêmica divulgada na semana passada, Trump alardeava que tocava as partes íntimas das mulheres sem consentimento.

"Sou atraído automaticamente pelas mulheres bonitas. Começo a beijá-las, é como um imã. Não consigo nem esperar. E quando você é uma celebridade, elas deixam você fazer o que quer", afirmou o empresário no vídeo de 2005.

No domingo, durante o segundo debate presidencial com a democrata Hillary Clinton, Trump negou ter levado à prática seus comentários, que classificou de "apenas palavras".

No comunicado de hoje, o porta-voz da campanha republicana disse que o "The New York Times" é um "ataque político" orquestrado pelos poderes que apoiam Hillary e afirmou que representa um "dia triste" para o jornal.

A campanha da ex-secretária de Estado também reagiu às acusações de Leeds e Crooks. "Essa matéria perturbadora encaixa tristemente em tudo o que sabemos da forma como Trump trata as mulheres. Sugere que mentiu no debate e que o comportamento desagradável que se presume no vídeo vai além das palavras", destacou a porta-voz democrata Jennifer Palmieri.

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