Peru apoia projeto de ferrovia Bioceânica para ligar Brasil e Bolívia

La Paz, 13 out (EFE).- O governo do Peru respaldou nesta quinta-feira o projeto de ferrovia Bioceânica para conectar um porto peruano com território boliviano e um terminal marítimo do Brasil, durante a reunião na Bolívia de autoridades de países sem litoral.

O vice-presidente e ministro dos Transportes e Comunicações do Peru, Martín Vizcarra, expressou seu apoio à denominada ferrovia Bioceânica central na "Reunião de Alto Nível sobre Transporte Sustentável de Países em Desenvolvimento Sem Litoral" organizada a pedido das Nações Unidas na cidade de Santa Cruz (leste).

"Minha presença nesta reunião, na formosa e progressista cidade de Santa Cruz, tem também o propósito de impulsionar novos projetos de integração como o do corredor ferroviário central Peru-Bolívia-Brasil", disse Vizcarra em seu discurso.

O vice-presidente peruano garantiu que o projeto "se encontra em ativa avaliação neste momento" e expressou seu desejo de que os "estudos de viabilidade" sejam realizados o mais rápido possível.

Vizcarra destacou que esse plano e a construção das estradas são uma forma de ajudar a Bolívia a superar sua condição de nação sem litoral, uma situação que afeta 32 nações em desenvolvimento.

Após a inauguração do evento, Vizcarra se reuniu com o presidente boliviano, Evo Morales, para tratar esse tema e depois declarou que o projeto ferroviário "é plenamente justificado" desde os pontos de vista econômico, técnico e social.

"Nós já estamos trabalhando a parte de engenharia no lado peruano, como a Bolívia também está fazendo. Coordenamos e estipulamos com o presidente ter reuniões de caráter técnico de maneira mais intensa e progressiva para que os resultados sejam vistos em prazos determinados", sustentou o vice-presidente peruano.

Vizcarra destacou que o Peru é consciente da problemática da Bolívia por "sua condição mediterrânea" e que "não esteve alheio e nem indiferente" a essa situação porque ao longo da história trabalhou em projetos para apoiar seu comércio com o Pacífico.

Morales celebrou as palavras de Vizcarra porque demonstram um apoio à ferrovia para a qual inclusive pediu apoio da China, já que com essa obra os produtores da Bolívia e Brasil podem enviar suas mercadorias mais rápido pelo Pacífico para chegar ao mercado asiático.

O líder voltou a defender que trata-se de um projeto que integrará seis dos países da América do Sul porque a ferrovia bioceânica também se conectará com a hidrovia Paraguai-Paraná, beneficiando Argentina, Paraguai e Uruguai.

Segundo Morales, a ferrovia desde o porto brasileiro de Santos até o peruano de Ilo, passando pela Bolívia, reduz os dias que produtores do Brasil demoram para enviar seus produtos ao Pacífico usando o canal do Panamá ou o Cabo de Hornos.

Além disso, Morales anunciou que na próxima semana uma comissão dos ministros bolivianos de Obras Públicas, Hidrocarbonetos e Economia irá a Lima para preparar a agenda dos temas que o gabinete bilateral tratarão na reunião que será realizada na Bolívia em 4 de novembro próximo.

A reunião, programada na cidade de Sucre (sudeste), estará liderada por Morales e seu par peruano, Pedro Pablo Kuczynski.

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