Oliver Stone acredita que Trump não ganhará, mas diz que Hillary não é melhor

Roma, 14 out (EFE).- O cineasta americano Oliver Stone considerou nesta sexta-feira que o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá ganhar, apesar de ter advertido que sua oponente democrata, Hillary Clinton, "não é melhor que ele".

"Não acredito que Trump ganhe, mas a alternativa é Hillary, que não é melhor. Representa o sistema dos Estados Unidos, o 'está comigo ou contra mim'", opinou o diretor durante uma conferência em Roma.

Na sua opinião, Hillary Clinton "será mais militarista que (o atual presidente americano, Barack) Obama, mais dura" e a situou como responsável por mudanças de governo em países como Líbia e Honduras durante sua etapa como secretária de Estado (2009-2013).

"Não acredito que (Hillary) represente uma mudança", disse o cineasta.

Stone concorre no Festival do Cinema de Roma com seu filme "Snowden", sobre Edward Snowden, o ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) que em junho de 2013 filtrou milhares de documentos confidenciais e deu lugar a um escândalo de enormes proporções.

No filme, Stone fala sobre o processo pelo qual Snowden passou, antes tido como um patriota e defensor da Guerra do Iraque até se desiludir e tomar a decisão de viajar para Hong Kong para revelar a vários jornalistas os programas de vigilância cibernética dos EUA.

O diretor opinou que "os americanos não compreenderam a importância da revelação porque estão muito ocupados com seus iPhone e seus segredos".

"O que revelou não foram Pokémons, mas algo muito profundo. Foi interessante adentrar no que fez. A informação era tão complicada que as pessoas não a compreenderam", afirmou Stone, que recalcou que o povo não sabe quem é Snowden.

Stone garantiu que "a maior parte das pessoas" confundem Snowden com o fundador do Wikileaks, Julian Assange, ou com o soldado e informante de dita organização, Chelsea Manning.

Com relacão à rodagem do filme, o autor explicou que enfrentou "alguns problemas" como a impossibilidade de encontrar nos Estados Unidos alguma grande empresa disposta a financiar o projeto, por isso que teve que recorrer a uma produtora alemã.

Stone explicou que Snowden, que atualmente está asilado na Rússia, viu o filme, o assessorou em sua criação, "deu informações úteis".

O diretor estabeleceu certo paralelismo com a transição ideológica de Snowden já que lembrou que ele cresceu como conservador, mas mudou de opinião após conhecer as ações do governo americano na Guerra do Vietnã e posteriormente na América Central.

Snowdem alertou sobre os mecanismos de vigilância de massas dos Estados Unidos, ressaltou seus erros na identificação de terroristas e garantiu que seu uso é dirigido para provocar mudanças de governo mediante técnicas "muito sutis" e encorajando manifestações.

"O objetivo não é acabar com terroristas, mas observar tudo e todos", disse Stone, que recomendou precaução com o uso dos smartphones.

"Acredito conveniente estarmos atentos a nossos smartphones. Todos sabemos o que está ocorrendo, todos somos classificados, também por crimes que ainda não são, mas que em um futuro podem ser", advertiu.

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