ONU teme que epidemia de cólera retorne com força no Haiti após furacão

Genebra, 14 out (EFE).- As agências humanitárias das Nações Unidas alertaram nesta sexta-feira que é possível que uma epidemia de cólera volte a assolar o Haiti, além de outras doenças relacionadas com a contaminação da água, após a passagem do furacão Matthew.

Mais de dez dias depois que o furacão arrasou a parte sul da ilha caribenha, a ONU ainda não pôde comprovar quantas pessoas foram infectadas e inclusive morreram por consequência do contágio de cólera.

Fadéla Chaib, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse hoje que foram registrados mais de 470 casos suspeitos de cólera no país em apenas quatro dias, mas que nenhum deles pôde ser confirmado em um laboratório porque a rede ficou muito afetada pela passagem do furacão.

"Cerca de 75% dos centros de tratamento de cólera ficaram destruídos ou afetados, enquanto 50% dos centros sanitários ficaram afetados", afirmou Fadéla.

Segundo a porta-voz, esse número é relativamente "normal" já que antes do desastre eram contabilizados em média 700 casos suspeitos por semana.

No entanto, além dos números, a experiência faz temer uma explosão de casos, sobretudo nas áreas mais afetadas, não só porque o fornecimento de água potável ficou interrompido, mas porque os serviços de saneamento, se é que existiam previamente, ficaram inutilizados.

Além do cólera, podem surgir outras doenças relacionadas com a contaminação de água, como a gastroenterite, que pode ser mortal no caso de pessoas especialmente vulneráveis, como crianças menores de cinco anos e idosos.

"Uma simples diarreia pode facilmente matar uma criança se não for tratada com efetividade e rapidez", advertiu Christophe Boulierac, porta-voz do Unicef.

Diante desta realidade, a OMS, em estreita colaboração com o governo do Haiti, desenvolverá a partir deste fim de semana um trabalho de "mapeamento", segundo Fadéla, para poder determinar onde há mais risco de surgirem doenças e onde a população é mais vulnerável.

A respeito das vacinas, a OMS enviará 1 milhão de doses à ilha nos próximos dias.

O atual surto de cólera foi introduzido no Haiti por um contingente do Nepal que integrava as forças de paz da ONU na ilha para ajudar após o terremoto de 2010.

Desde então, 800 mil pessoas se infectaram com a doença, das quais 96.300 morreram, segundo dados da OMS.

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