R.Unido notifica Argentina sobre exercício com mísseis nas Malvinas

Buenos Aires, 14 out (EFE).- O Serviço de Hidrografia Naval (SHN) da Argentina informou nesta sexta-feira que as forças militares britânicas que "de forma ilegal" ocupam o território argentino das Ilhas Malvinas notificaram o país sobre a realização de "um exercício com armas" que inclui lançamento de mísseis, entre os dias 19 e 28 de outubro.

O SHN, que depende do Ministério da Defesa, afirmou que a área marítima "onde acontecerão os exercícios é parte do território argentino ilegitimamente ocupado pelo Reino Unido", país que exerce a soberania do arquipélago, situado no Atlântico Sul, e com o qual a Argentina mantém historicamente uma disputra por causa dessa questão.

"O SHN emite esta informação em caráter de autoridade de aplicação de compromissos internacionais vigentes com a organização marítima internacional e a organização hidrográfica internacional, assim como por razões humanitárias de proteção à vida humana no mar", destaca o texto.

Fontes do Ministério da Defesa informaram à Agência Efe que trata-se de "práticas frequentes" realizadas pelo Reino Unido desde 2006.

"A Inglaterra comunica à Argentina que vai ter práticas de rotina como as desde 2006", acrescentaram.

"E o SHN entra em contato com a Chancelaria. O SHN tem que comunicá-lo pela lei mundial quando há uma situação destas", disseram as fontes.

Neste sentido, desde o Ministério acrescentaram que as práticas incluem lançamento de mísseis terra-ar, que explodem no ar.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do governo de Mauricio Macri afirmou à Agência Efe que está prevista a divulgação de um comunicado sobre o tema.

Em abril de 2014, o Executivo da então presidente, Cristina Kirchner (2007-2015), denunciou que o Reino Unido previa realizar exercícios militares e lançamento de mísseis desde o território das ilhas.

Nesse momento, o governo convocou o embaixador britânico "para entregar uma nota de protesto diante desta nova exibição de força belicista em uma zona de paz como é o Atlântico Sul".

Por outro lado, em março de 2015 o Reino Unido anunciou que pretendia investir US$ 268 milhões para reforçar a defesa das ilhas perante qualquer "ameaça" que pudesse surgir do país sul-americano.

Essa situação provocou fortes críticas por parte de Cristina Kirchner, que chegou a pedir aos britânicos que deixassem de usar a Argentina como "desculpa" para aumentar a despesa militar nas ilhas Malvinas e dar resposta ao lobby armamentista.

Com a chegada de Macri ao poder, em dezembro de 2015, ambos países mostraram vontade de iniciar um novo clima em suas relações, que desembocou em setembro em uma visita a Buenos Aires do ministro de Estado britânico para a Europa e América, Alan Duncan.

Como fruto dessa viagem, os dois Estados emitiram um comunicado conjunto no qual se comprometeram a "estreitar ainda mais" seus vínculos bilaterais e a estabelecer um "diálogo" para "melhorar a cooperação" em todos os assuntos "de interesse recíproco" do Atlântico Sul, onde ficam as Malvinas.

Essa declaração conjunta gerou críticas por parte da oposição e setores do Governo porque reprovavam, entre outros aspectos, que não se aprofundava na questão da soberania, como a Argentina historicamente reivindica.

No entanto, tanto o presidente como a chanceler, Susana Malcorra, reiteraram em várias ocasiões que a soberania é uma questão "central "para o governo.

A Argentina reivindica a soberania do arquipélago, que está em mãos do Reino Unido desde 1833, mas o governo britânico não aceita negociar e alega que a decisão corresponde aos malvinenses, que em um referendo, não reconhecido internacionalmente, se pronunciaram em 2013 por seguir como britânicos.

Em abril de 1982, tropas argentinas desembarcaram nas ilhas, o que suscitou uma guerra com o Reino Unido que terminou com a rendição da Argentina em junho desse mesmo ano.

No conflito morreram 255 britânicos, três ilhéus e 649 argentinos.

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