Atividades bilaterais intensas fazem aquecimento para cúpula dos Brics

Moncho Torres.

Panaji (Índia), 15 out (EFE).- O aquecimento para a 8ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que acontece neste domingo em Goa, no oeste da Índia, contou neste sábado com uma intensa atividade bilateral que foi liderada pelo governante anfitrião, o premiê indiano Narendra Modi.

Em um dia úmido e quente, Modi aproveitou a presença de seus colegas dos Brics na Índia para se reunir, em primeiro lugar, com o presidente russo, Vladimir Putin, com quem assinou 16 convênios em diversas áreas e contratos em matéria de defesa.

Entre os acordos de defesa assinados pelos governos russo e indiano se destacam a aquisição por parte de Nova Délhi de sistemas de mísseis antiaéreos S-400 russos e a fabricação de helicópteros russos Kamov 226T e também de quatro fragatas na Índia.

Fontes diplomáticas citadas pela imprensa indiana estimaram os investimentos do país em defesa em cerca de US$ 7 bilhões (US$ 5,9 bilhões pela compra dos sistemas S-400 e US$ 1 bilhão pela aquisição dos helicópteros).

Além disso, na entrevista coletiva conjunta entre Modi e Putin, foi mostrado ao vivo o início da construção de dois novos reatores nucleares, os de número 3 e 4, de fabricação russa, em uma central em Tamil Nadu, no sul da Índia, como parte da parceria entre os dois países.

Esses acordos "fundamentam os alicerces para relações mais profundas nos próximos anos nos campos da defesa e da economia", assegurou Modi.

O primeiro-ministro da Índia também se reuniu com o presidente da China, Xi Jinping, um encontro no qual o líder chinês destacou a relação "saudável" entre os dois países.

Além disso, Xi manifestou o apoio da China à Índia para garantir "o sucesso" da cúpula.

Modi também se reuniu com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, em um encontro no qual ambos recordaram a recente "viagem histórica" do primeiro-ministro da Índia à África do Sul, assim como a assinatura de acordos bilaterais em energias renováveis e educação universitária, conforme expôs o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, Vikas Swarup.

Já a reunião bilateral entre o líder indiano e o presidente Michel Temer está prevista para a segunda-feira, mas o governante brasileiro antecipou hoje em um breve encontro com a imprensa brasileira que sua intenção é "aumentar a relação entre Brasil e Índia".

"Temos empresas aqui na Índia, mas são poucas por enquanto", reconheceu Temer.

O ministro das Relações Exteriores José Serra também insistiu em Goa que o comércio entre os dois países "poderia ser muito maior do que é, já que possui um enorme potencial, podendo dobrar, e inclusive triplicar, de volume ao longo dos anos".

Além das relações comerciais, a Índia mostrou seu interesse em obter apoio para pressionar o Paquistão em um novo momento de baixa em suas relações bilaterais após o último incidente com a entrada de insurgentes, supostamente vindos do território paquistanês, para atacar uma base militar na Caxemira.

No entanto, a resposta oficial de China, Rússia e África do Sul nesse aspecto foi bem mais suave, um posicionamento genérico condenando "o terrorismo em todas as suas formas e manifestações" e pedindo, assim como fez Putin, o fim dos "santuários terroristas".

A África do Sul manifestou sua "solidariedade" com a Índia após a morte dos 19 soldados no recente ataque à base militar na Caxemira, segundo explicou em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano.

No entanto, o tema principal durante esse pronunciamento foram as incógnitas que pairam sobre o posicionamento da China em relação ao Paquistão, país com o qual Pequim mantém relações muito próximas.

De acordo com Swarup, no encontro entre Modi e Xi Jinping ficou claro "que a China está a par das preocupações" da Índia sobre o terrorismo e que se opõe a "todas as manifestações de terrorismo".

"Continuamos nosso diálogo para que a China veja a lógica como nós a vemos", comentou o porta-voz indiano de Relações Exteriores em resposta a uma das várias perguntas sobre o Paquistão.

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