Coalizão árabe diz que massacre no Iêmen aconteceu por informação errada

(Atualiza com comunicado do Comando da coalizão).

Riad, 15 out (EFE).- A equipe de investigação da coalizão árabe que intervém no conflito interno do Iêmen anunciou neste sábado que o bombardeio ocorrido na semana passada durante um funeral em Sana, a capital do país, que causou a morte de 140 pessoas e deixou outras 525 feridas, aconteceu por causa de uma informação "errada".

Em comunicado divulgado pela agência de notícias "SPA", da Arábia Saudita, a coalizão árabe informou que a chefia do Estado-Maior iemenita deu uma informação "que mais adiante se comprovou que era errada" sobre a presença de líderes rebeldes houthis nesse lugar. O Estado-Maior iemenita insistiu que esse local era "um alvo militar legítimo" que devia ser atacado "imediatamente", segundo a nota da coalizão, que ressaltou que o bombardeio foi realizado sem instruções de seu comando.

De acordo com o texto, não foram tomadas as medidas preventivas aprovadas pela coalizão, que tenta garantir, antes de realizar suas ações, que os alvos de ataques não estão em áreas civis. A equipe de investigação indicou que o comando da coalizão lhe ofereceu "todas as informações e documentos requeridos" e denunciou que "outras partes" aproveitaram o ocorrido para "elevar o número de vítimas". A equipe recomendou que sejam tomadas "medidas legais" para compensar de forma adequada os familiares das vítimas e os atingidos", e que as forças da coalizão "revisem a aplicação das normas de combate aprovadas".

O documento é um relatório preliminar do fato, cujas investigações continuam em coordenação com o governo iemenita exilado em Riad, a capital saudita, e outros países.

O Comando da aliança anunciou em comunicado sua "aceitação" das conclusões e se comprometeu a tomar as medidas necessárias para seguir as recomendações mencionadas. Ele se desculpou por "este acidente, que não foi proposital", e pela dor que causou aos familiares das vítimas. O fato não está em acordo com "os nobres objetivos da coalizão", que são principalmente proteger os civis e recuperar a segurança e a estabilidade no Iêmen, segundo a nota.

O bombardeio foi efetuado contra uma sala onde acontecia o funeral da mãe do ministro rebelde do Interior, general Jalal Ali al-Rawishan, no sul de Sana.

A organização Human Rights Watch denunciou na quinta-feira que esse ataque da aliança poderia ser considerado um crime de guerra, por isso pediu uma investigação "urgente e crível".

A guerra no Iêmen se intensificou em março de 2015, quando a coalizão militar integrada por países sunitas e liderada pela Arábia Saudita interveio diretamente em favor do presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi, o único reconhecido pela comunidade internacional, e contra os rebeldes houthis. A aliança árabe bombardeou neste período áreas residenciais, hospitais e escolas, sendo a principal responsável pela maior parte das vítimas civis no conflito, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e organizações de direitos humanos.

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