Rússia e EUA retomam negociações para cessar-fogo na Síria

Lausanne (Suíça), 15 out (EFE).- Os Estados Unidos e a Rússia retomaram negociações diretas neste sábado para chegarem a um novo acordo de cessar-fogo na Síria, com a diferença de que agora, pela primeira vez, sete países do Oriente Médio também participam deste esforço.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, iniciaram uma reunião bilateral com esse fim em um hotel na cidade suíça de Lausanne.

Esta é a primeira vez que os dois ministros se reúnem após o rompimento da cooperação bilateral entre seus dois países há menos de duas semanas e após uma troca de acusações sobre quem foi o responsável pelo fim dessa aliança.

Kerry acusou recentemente a Rússia de cometer crimes de guerra por bombardear de forma deliberada civis e hospitais, enquanto o presidente russo Vladimir Putin desprezou essas acusações e denunciou que os países do Ocidente culpam o Kremlin "de todos os males do mundo".

Ontem, o próprio Lavrov chegou a dizer que compareceria à reunião em Lausanne "sem nenhuma expectativa".

Apesar disso, o chefe da diplomacia russa aceitou o convite e se reuniu de forma bilateral com seu colega americano.

No entanto, para não retomar o mesmo formato que foi rompido há dez dias, os Estados Unidos também convidaram outros sete países do Oriente Médio: Catar, Egito, Iraque, Irã, Jordânia, Arábia Saudita e Turquia, todos representados em seu mais alto nível.

Até o momento, vazou a informação de uma reunião bilateral entre Kerry e seu colega saudita, Adel al-Jubeir, mas também se especula que outros encontros bilaterais e trilaterais aconteceram na manhã de hoje.

Os países europeus não foram convidados para o encontro, mas está previsto que representantes dos principais governos do continente se reúnam amanhã em Londres com Kerry.

Enquanto isso, em Lausanne, espera-se que durante a tarde de hoje os emissários dos nove países, além do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, mantenham uma reunião plenária.

O principal objetivo do encontro é alcançar um cessar-fogo em Aleppo, foco de uma ofensiva militar conjunta do exército sírio e da força aérea russa, que bombardeia a cidade intensamente há mais de duas semanas, o que causou cerca de 500 vítimas civis e danos severos em vários hospitais.

Um dos planos sobre a mesa é a proposta do mediador da ONU de fazer com que os jihadistas da Frente da Conquista do Levante (a antiga Frente al Nusra, que era ligada à Al Qaeda) abandonem Aleppo, para que o regime sírio e a Rússia deixem de usar o argumento de que estão lutando para libertar a cidade de terroristas.

De Mistura propôs acompanhá-los pessoalmente até um local seguro, mas a milícia rejeitou essa oferta.

Apesar disso, nesta quinta-feira o mediador adjunto, Ramzy Ezzeldin Ramzy, disse que De Mistura esperava que "os países com influência" pudessem pressionar para poder implementar esse plano. EFE

mh-is/rpr

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