EUA e Europa avaliam mais sanções para forçar cessar-fogo na Síria

Guillermo Ximenis.

Londres, 16 out (EFE).- Estados Unidos e Europa continuam comprometidos com uma solução diplomática para o conflito na Síria e estudam novas sanções econômicas para forçar um cessar-fogo, afirmaram neste domingo o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson.

Após uma reunião que também contou com a participação de representantes de Alemanha, França e Itália, Kerry e Johnson disseram que existe um "acordo arrasador" para exigir que a Rússia e o regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, aceitem a cessação imediata da violência em Aleppo e em outras regiões do país.

"A arma mais poderosa que temos neste momento é nossa capacidade de fazer com que o presidente (Vladimir) Putin e a Rússia sintam as consequências do que estão fazendo", afirmou Johnson em entrevista coletiva conjunta com Kerry no palácio de Lancaster House.

O diplomata britânico explicou que as principais ferramentas ao alcance de norte-americanos e europeus são as sanções econômicas contra o governo de Assad e seus parceiros, assim como levar aos tribunais internacionais aqueles que cometerem crimes de guerra.

Kerry viajou a Londres depois de se reunir ontem na Suíça com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e representantes dos países da região envolvidos no conflito sírio. Não houve acordo para conter os bombardeios do regime e do Kremlin sobre a região de Aleppo controlada pela oposição a Assad.

Mesmo assim, o diplomata americano ressaltou que foram ventiladas na reunião diversas possibilidades para estabelecer um cessar-fogo e afirmou que ainda há chances de isso ocorrer nesta semana.

"Há trabalho a fazer nos próximos dois dias que poderia levar, pelo menos assim esperamos, a abrir as portas para um cessar-fogo. Mas será difícil", disse Kerry na entrevista coletiva.

Apesar de Johnson ter dito nesta semana que "opções militares" estão sendo consideradas para pôr fim à violência em Aleppo, tanto o diplomata britânico como o norte-americano descartaram o extremo.

"Não vi um grande apetite nos países europeus para enviar as pessoas à guerra. Não vejo os parlamentos dos países europeus prontos para declarar guerra", disse Kerry.

O secretário de Estado alertou sobre as possíveis consequências indesejadas de uma ação militar em Aleppo e ressaltou a necessidade de evitar prolongar os conflitos sectários na região, assim como reaquecer um enfrentamento entre as "superpotências", como EUA e Rússia, o que teria "resultados desastrosos".

Mais de quinhentas pessoas morreram em Aleppo desde que as forças governamentais sírias, apoiadas por bombardeiros russos, iniciaram uma ofensiva contra a parte leste da cidade no fim de setembro, um ataque que Kerry chamou de "barbárie" e crime contra a humanidade.

Os bombardeios também deixaram centenas de feridos e destruíram grande parte dos hospitais da área controlada pela oposição, na qual vivem cerca de 250 mil pessoas.

"Isso poderia acabar amanhã mesmo se a Rússia e o regime de Assad aceitassem se comportar de acordo com qualquer norma ou padrão de decência, mas eles decidiram não fazê-lo", lamentou Kerry.

A Rússia afirmou hoje que continuará as operações militares contra os terroristas do Estado Islâmico e da Frente al Nusra depois da reunião de ontem em Lausanne, na Suíça. Os EUA afirmam que o objetivo de Moscou no conflito é unicamente apoiar o regime de Assad e não combater o jihadismo na região.

"Cerca de 80% ou 85% dos bombardeios russos foram contra a oposição moderada, não contra os extremistas. É urgente chegar à mesa de negociações e buscar a solução política que, segundo eles, é a única forma de encerrar essa batalha", disse Kerry.

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