Putin afirma que pode esperar "qualquer coisa" dos Estados Unidos

Moscou, 16 out (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste domingo que pode esperar "qualquer coisa" dos Estados Unidos, ao comentar as ameaças de Washington de realizar um ataque cibernético contra os russos em represália a sua suposta ingerência na campanha presidencial americana.

"Podemos esperar qualquer coisa de nossos amigos e sócios americanos", disse o chefe do Kremlin aos veículos de imprensa russos em Goa, na Índia, onde participou da cúpula dos Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Putin, citado pela agência oficial russa "RIA Novosti", afirmou que "não há nada de novo", e acrescentou: "Por acaso não sabemos que eles ouvem e espionam a todos?".

"Isto já é conhecido há muito tempo, não é nenhum segredo, sobram testemunhos, e eles (os americanos) gastam bilhões de dólares nisso", ressaltou o presidente russo.

Putin disse que os Estados Unidos não espionam apenas seus potenciais adversários ou aqueles que consideram como tais, mas também seus aliados mais próximos.

"Não há nada de novo. A única novidade consiste em que esta é a primeira vez que os EUA reconhecem isso em tão alto nível e, em segundo lugar, proferem uma ameaça, o que não corresponde às normas das relações internacionais", disse o líder russo.

Além disso, Putin advertiu aos jornalistas que o acompanham na viagem que eles mesmos podem ser de interesse para os "serviços secretos correspondentes".

Na última sexta-feira, a emissora de televisão americana "NBC" informou, citando fontes de inteligência dos EUA, que a CIA tem a tarefa de apresentar opções à Casa Branca para uma operação "clandestina" e de amplo alcance cibernético contra o Kremlin.

Além disso, ex-funcionários de inteligência acrescentaram que a CIA já teria reunido documentos que poderiam expor o presidente russo.

Putin advertiu que "sacrificar as relações russo-americanas no curso de eventos de política interna dos EUA" é "prejudicial e contraproducente".

"Alguém quer o confronto, esta não é nossa opção. Mas isso significa que haverá problemas, algo que não queremos. Pelo contrário, gostaríamos de buscar pontos de contato para resolver os problemas de caráter global que a Rússia, os EUA, e o mundo enfrentam", disse o chefe do Kremlin.

Putin, no entanto, negou que a Rússia esteja tentando influenciar a campanha presidencial americana, algo que - segundo ele - não faz sentido, porque não se sabe se o presidente que for eleito vai cumprir suas promessas eleitorais.

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