Trump alimenta teorias de fraude eleitoral sem apoio de companheiro de chapa

Lucía Leal.

Washington, 16 out (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, seguiu neste domingo alimentando rumores sobre uma possível manipulação nas eleições de novembro, apesar de seu companheiro de chapa, Mike Pence, ter tentado minimizar a retórica ao afirmar que ambos aceitarão uma derrota nas urnas caso essa seja a vontade do povo norte-americano.

Trump e sua rival democrata, Hillary Clinton, não fizeram atos de campanha neste domingo, mas o empresário republicano recorreu ao Twitter para continuar divulgando uma série de queixas e teorias conspiratórias que se amplia à medida em que ele cai nas pesquisas.

"As eleições estão sendo absolutamente manipuladas pelos desonestos e distorcidos veículos de imprensa, que impulsionam a corrupta Hillary, mas também em vários locais de vocação. Triste", disse o polêmico candidato em uma de suas mensagens.

Trump insistiu na ideia inclusive depois de seu companheiro de chapa ter aparecido em vários programas de televisão e assegurasse que as críticas de Trump se referem ao que considera um "óbvio viés nos veículos de imprensa" a favor da ex-primeira-dama.

"Certamente aceitaremos o resultado das eleições", prometeu Pence em entrevista à emissora "NBC News".

Trump chegou a pedir que seus eleitores vigiem os locais de votação para identificar possíveis fraudes, o que aumentou os temores em ambos partidos que o magnata possa se negar a aceitar uma possível derrota para Hillary, algo que poderia incitar respostas duvidosas de seus milhões de seguidores.

Vários dos aliados mais famosos de Trump, como os republicanos Newt Gingrich e Rudy Giuliani, reforçaram a ideia de uma possível manipulação eleitoral, se distanciando de outras figuras do partido, como o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan.

"As pessoas mortas costumam votar mais nos democratas do que nos republicanos", disse Giuliani, ex-prefeito de Nova York, em entrevista à emissora "CNN", acusando o partido adversário de deixar pessoas já falecidas nos registros e de depois pagar para que outros votem em nome delas "quatro, cinco, seis, sete, oito vezes".

O candidato democrata à vice-presidência, Tim Kaine, criticou as "afirmações malucas" de Trump sobre uma possível manipulação eleitoral. Em entrevista à "ABC News", o companheiro de chapa de Hillary afirmou que o rival "não deveria usar táticas do medo".

Várias novas pesquisas confirmaram que Trump está perdendo apoio devido ao vídeo gravado em 2005 em que ele faz comentários abusivos e machistas, e também por causa das diversas denúncias de assédio sexual que seguiram a publicação da gravação nesta semana.

Uma pesquisa conjunta do "Wall Street Journal" e da emissora "NBC" aponta que Hillary tem 11 pontos percentuais entre os eleitores prováveis. Outra do "Washington Post" indica que a ex-secretária de Estado está quatro pontos na frente de Trump. Já uma da "CBS" diz que a democrata está a seis pontos de distância do adversário em 13 estados que serão essenciais nas eleições.

O próprio Trump reconheceu hoje que perdeu apoio entre as mulheres, ao perguntar aos seus seguidores no Twitter. "Acreditam que perdi mulheres eleitoras com base em fatos inventados que nunca ocorreram? A imprensa está manipulando as eleições", escreveu.

O republicano questionou a credibilidade das acusações de assédio sexual feitas por várias mulheres contra ele por considerar que elas não são suficientemente atraentes. Hoje, Pence evitou defender o companheiro de chapa usando o mesmo argumento.

"Eu não diria nada para menosprezar uma mulher que teve uma experiência como essa. Mas Donald Trump deixou claro que essas acusações são categoricamente falsas", disse Pence à "NBC News".

O candidato a vice-presidente e governador de Indiana também contradisse Trump em outro aspecto ao opinar que a Rússia é responsável por hackear os e-mails do Partido Democrata, posteriormente divulgadas pelo Wikileaks, com o objetivo de influenciar nas eleições americanas.

Um assessor de Hillary, Jake Sullivan, pediu em comunicado que Trump condene o "Watergate moderno" representado pelos cibertaques da Rússia e exigiu que o empresário revele as supostas conexões de sua campanha com o Moscou e o Wikileaks.

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