Tsipras é reeleito líder do Syriza e sai reforçado para avaliação do resgate

Ingrid Haack e Yannis Chryssoverghis.

Atenas, 16 out (EFE).- O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, foi reeleito neste domingo como líder do Syriza e chega reforçado para a próxima semana, quando o governo deverá retomar a difícil negociação com os credores sobre uma nova avaliação do programa de resgate econômico ao país.

No segundo congresso do Syriza desde a fundação oficial como partido, e o primeiro como liderança no governo, Tsipras teve o apoio de 92,39% dos filiados (em 2013 obteve 74%), o que confirma sua posição de líder indiscutível do grupo.

A votação se prolongou durante toda a tarde deste domingo, muito depois do congresso ter se encerrado. No evento, Tsipras prometeu que batalhará para evitar que direitos trabalhistas sejam reduzidos, como pretende o Fundo Monetário Internacional (FMI), e para fazer os credores cumprirem a palavra de aliviar a dívida.

Ao longo dos quatro dias do congresso, os cerca de 2.800 delegados do Syriza discutiram sobre o caminho que deve ser seguido por um partido que venceu as eleições graças a um programa de governo que deixou de lado para evitar sair da zona do euro.

Foi aprovado um documento proposto pela direção executiva do partido, que basicamente defende a condição esquerdista do Syriza e, ao mesmo tempo, justifica a assinatura do resgate.

No texto, o Syriza reconhece que cometeu erros de cálculo ao elaborar o programa com o qual venceu as eleições de 2015, sobretudo porque superestimou as possibilidades de aumentar a receita pública.

Os objetivos eram "justos", explica o Syriza, mas difíceis de serem alcançados, fundamentalmente devido a uma situação financeira "extremamente difícil" enfrentada pelo país.

Tsipras afirmou que agora o objetivo primordial do governo é tirar o país da "tutela" dos credores e romper o "círculo vicioso" de dívida, recessão e austeridade.

Além disso, o líder do Syriza recebeu o apoio do congresso para ampliar a cooperação com sociais-democratas e ecologistas dentro da União Europeia (UE), a fim de forjar uma ampla aliança progressista que combata às políticas neoliberais.

Em seu discurso no sábado, Tsipras citou como exemplo o Partido Trabalhista do Reino Unido que, segundo ele, sob a liderança de Jeremy Corbyn, demonstrou que pode ser ao mesmo tempo um partido das massas e de orientação esquerdista.

Apenas três anos depois de sua fundação como partido - antes era uma aliança de várias legendas -, o novo Syriza decidiu, além disso, fazer uma série de reformas em seu estatuto e na estrutura de seu principal órgão decisório, o comitê central.

A partir de agora, o comitê central será formado por 151 membros, entre os quais um terço deve ser de mulheres, e contará com no máximo 25% dos cargos governamentais.

Além disso, o Syria decidiu criar uma comissão de ética e transparência que controlará o trabalho do governo e será responsável por não permitir o estabelecimento de esquemas de corrupção e nomeações por interesse.

Nos próximos dias haverá também uma renovação da Secretaria-Geral do Syrizas. Posteriormente, Tsipras realizará uma remodelação do governo, mas o primeiro-ministro não quis falar em datas.

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