Erdogan diz que a Turquia intervirá no Iraque para se defender do jihadismo

Istambul, 17 out (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, garantiu nesta segunda-feira que seu país participará da ofensiva para expulsar o Estado Islâmico (EI) da cidade de Mossul, no norte do Iraque, já que esse grupo jihadista representa uma ameaça para a Turquia.

"Estão nos dizendo que não entraremos em Mossul. Mas compartilhamos (com o Iraque) uma fronteira de 350 quilômetros. Como não vamos entrar? Estamos sob ameaça", disse Erdogan em discurso em Istambul que foi transmitido ao vivo pela emissora "NTV".

"Não nos responsabilizaremos pelos resultados que possam surgir se a Turquia não estiver nesta operação. Participaremos da operação e estaremos na mesa (de negociação)", disse Erdogan.

No entanto, o líder não concretizou de que forma a Turquia poderia participar da ofensiva a Mossul, que foi lançada na madrugada de hoje pelo exército regular iraquiano, sob comando do governo central em Bagdá, com o qual a Turquia mantém relações conturbadas.

O governo iraquiano exigiu que a Turquia retire suas tropas de Bashika, uma cidade a pouco mais de 15 quilômetros de Mossul, onde instrutores turcos, apoiados por tanques e blindados, treinam milícias sunitas locais e os peshmerga (combatentes) curdos.

O governo turco se negou taxativamente a retirar este contingente, e assegurou que o mesmo tem apenas uma missão de treinamento, não de combate.

"Estamos em Bashika e que ninguém espere que deixemos Bashika. Até agora, participamos de todas as atividades contra o terrorismo e continuaremos fazendo isso", reiterou hoje Erdogan, mas sem oferecer mais detalhes sobre seus planos.

Segundo a emissora "NTV", cerca de 2 mil combatentes peshmerga treinados pelos instrutores turcos estão participando da ofensiva a Mossul.

Erdogan insistiu que caberia à milícia Hashd al Watani, que em parte é treinada pela Turquia, expulsar o EI da cidade "porque eles são de Mossul", mas que as milícias de Hashd al Chaabi, compostas por combatentes xiitas que apoiam o exército nacional iraquiano, não deveriam participar da ofensiva.

"Eles são de fora. Não permitiremos que haja combates sectários outra vez entre sunitas e xiitas", alertou Erdogan.

O presidente turco também lembrou que a invasão da Síria pelo exército turco realizada em agosto para expulsar o EI de suas posições ao longo de fronteira turca, foi decidida sem qualquer consulta ao presidente sírio Bashar al Assad, já que os disparos de morteiros da Síria representavam uma ameaça para a Turquia.

Ontem, as milícias sírias apoiadas por artilharia e aviação turcas tomaram a cidade síria de Dabiq, que supostamente tem valor simbólico para os jihadistas, e o ministro das Relações Exteriores, Mevlüt Çavusoglu, prometeu continuar com a campanha até tomar Al Bab, uma cidade estratégica para os jihadistas que fica a 30 quilômetros da Turquia.

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