Farc advertem que processo de paz na Colômbia pode fracassar

Miami, 17 out (EFE).- O negociador-chefe das Forças Armadas da Colômbia (Farc), Ivan Márquez, disse que teme "a morte" do processo de paz no país durante uma entrevista divulgada nesta segunda-feira por uma emissora latino-americana nos Estados Unidos.

"A partir do limbo pode ir para o inferno, e nós temos que salvar este processo de paz", afirmou Luciano Marín, seu verdadeiro nome, em entrevista realizada em Cuba pela emissora "Univision".

"É preciso escutar todo mundo, mas em um período de tempo não muito longo, porque se não, morre este processo", disse.

A paz na Colômbia está sob dúvida após a realização, no último dia 2, de um referendo onde a maioria dos colombianos, por um pouca diferença, votou contra os acordos.

"É o jogo da democracia. O 'Não' ganhou sobre ao 'Sim' precariamente, mas é uma vitória de qualquer maneira. As Farc estão abertas para buscar soluções visando este impasse que surgiu", manifestou Márquez, sobre a consulta popular durante a entrevista divulgada hoje.

Ivan Márquez assumiu que o acordo de cessar-fogo está vigente ao lembrar que o governo do presidente Juan Manuel Santos o estendeu até o dia 31 de dezembro e se mostrou disposto a "fazer até o impossível por manter a situação atual".

Na última quinta-feira, Santos decidiu prorrogar o cessar-fogo bilateral com as Farc, em vigor desde o dia 29 de agosto, e disse que não se tratava de "um ultimato ou prazo", mas como um sinal de seu desejo em chegar a um novo acordo.

Márquez afirmou que "renegociar o acordo é um assunto muito complexo" porque terão que investir em "mais anos de negociação".

"Se nós investimos cerca de quatro ou cinco anos para conseguir este acordo, renegociá-lo sobre bases que não são proposicional, vamos expandir esse tempo e corremos o risco de que o processo de paz acabe mal", advertiu.

O guerrilheiro disse que eles rejeitavam a guerra.

"Vamos lutar com todas nossas forças por uma solução política do conflito. Nós não queremos mais mortes. Prorrogar este estado de indefinição do acordo final vai produzir mais mortes, mais vitimizações. E nós queremos evitar todo custo", disse Márquez.

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