Batalha de Mossul poderia provocar a maior crise humanitária de 2017, diz ONU

Genebra, 18 out (EFE).- A batalha para libertar Mossul do Estado Islâmico (EI) poderia provocar "uma catástrofe" e "a mais longa e complexa situação humanitária" do ano que vem, advertiram nesta terça-feira as agências humanitárias das Nações Unidas.

Em conferência no Iraque, Thomas Lothar Weiss, diretor-geral da missão da Organização Internacional das Migrações (OIM) no país, disse que "milhares de pessoas" deixarão a cidade durante as semanas e meses que durar a campanha militar, o que pode provocar uma "enorme crise humanitária em 2017".

O porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), William Spindler, por sua vez, afirmou que a batalha poderia provocar "uma catástrofe humanitária", mas não especificou se isto ocorreria a curto prazo ou no ano que vem. O que sim especificou e advertiu é que acredita que até 1 milhão abandonará a cidade e se transformará em deslocado interno ou refugiado nos países vizinhos.

De fato, Weiss indicou que, desde ontem, quando a campanha começou, poucas pessoas fugiram de Mossul, mas "esse número subirá dramaticamente uma vez as forças iraquianas se aproximem dos arredores da cidade".

O governo iraquiano, apoiado pelas forças de uma coalizão internacional, começou ontem a batalha para libertar Mossul - a segunda maior cidade do país e onde acredita-se que vivam ainda 2 milhões de pessoas - e que esteve nas mãos do EI durante dois anos.

Weiss alertou que a ONU teme que as pessoas que tentem fugir não só se encontrem imersas no meio de fogo cruzado, como sejam usadas "como escudos humanos", já que os jihadistas do EI têm essa prática.

"Os civis se encontram em uma situação de risco extremo", sustentou o porta-voz da Acnur, que acrescentou que sua organização também teme que o EI use armas químicas.

Ele admitiu que sua organização nunca teve o relato direto de uma vítima de arma química, mas o receio existe porque a mídia local tem informações sobre isso.

"Mas é preciso confessar que não temos máscaras suficientes para proteger os civis caso haja um ataque", disse Weiss.

O cenário trágico também foi sinalizado pelo diretor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Iraque, Robert Mardini.

"Ninguém sabe o que vai acontecer. Estamos preparados, elaboramos planos de contingência, temos material e profissionais posicionados, mas o problema é que a situação é fluente e imprevisível", afirmou Mardini, ressaltando que se um ataque químico acontecer a Cruz Vermelha tem remédios e material para os afetados.

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