Eleições são adiadas na R.D.Congo após acordo entre governo e oposição

Kinshasa, 18 out (EFE).- O governo da República Democrática do Congo (RDC) e a oposição entraram em acordo para adiar até abril de 2018 as eleições presidenciais previstas para dezembro deste ano, em meio à onda de violência no país desde que se cogitou a possibilidade deste atraso.

A informação sobre o acordo foi confirmada por Edem Kodjo, ex-primeiro-ministro de Togo e mediador nas negociações entre governo e oposição auspiciadas pela União Africana (UA) para se chegar a uma solução pactuada para a crise política.  

O acordo autoriza o presidente da RDC, Joseph Kabila, a permanecer no poder até a realização do pleito, apesar de ele ter completado os dois mandatos que são permitidos segundo a Constituição.

Em troca, a oposição poderá escolher o primeiro-ministro para tramitar a transição que levará o país rumo ao processo eleitoral, conforme detalharam os veículos de imprensa da RDC.

O acordo foi firmado depois que o Tribunal Constitucional autorizou ontem o adiamento do pleito, após receber um pedido da comissão eleitoral para fazê-lo.

As votações estavam previstas para dezembro, mas a Comissão Eleitoral e o governo pediram há alguns meses que o pleito fosse adiado por motivos "técnicos", já que, segundo eles, o censo eleitoral está defasado.

A oposição, por sua vez, rejeitou na época o adiamento ao considerá-lo uma tentativa de Kabila, que está no poder desde 2001, de se manter no cargo contra o que determina a Constituição.

Em setembro, os protestos para pedir a renúncia do presidente explodiram em Kinshasa, onde pelo menos 32 pessoas morreram, segundo as autoridades, mas a oposição elevou este número para mais de 75.

O Tribunal Penal Internacional (TPI), por sua vez, anunciou ontem que enviará nos próximos dias uma missão ao país africano para pedir ao governo, à oposição e à sociedade civil o fim da violência.

Kabila dirige o país desde 2001, quando chegou ao poder após o assassinato de seu pai, Laurent-Désiré Kabila, e venceu nas duas eleições presidenciais realizadas até o momento, em 2006 e 2011.

Ao ser obrigado a deixar seu posto após dois mandatos de cinco anos conforme o limite fixado pela Constituição congolesa, Kabila é mais dos muitos líderes africanos que tentam se perpetuar no poder passando por cima das leis, assim como os presidentes de Burundi, Pierre Nkurunziza, e Ruanda, Paul Kagame.

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