Itália recebeu número recorde de crianças sozinhas neste ano, diz Unicef

Genebra, 18 out (EFE).- Mais de 20 mil crianças refugiadas e desacompanhadas chegaram à Itália pelo Mar Mediterrâneo nos primeiros nove meses deste ano, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Em todo o ano de 2015, dos 16.478 menores refugiados que desembarcaram no litoral italiano, 12.300 estavam nessas condições, o que mostra a gravidade da situação das crianças nesta crise migratória.

De acordo com a porta-voz da organização, Sarah Crowe, as condições que suportam são "desesperadoras", o que explica, em parte, por que o sistema de proteção infantil italiano está superlotado.

"Semanalmente, centenas de crianças chegam e cada um deles têm necessidades urgentes, desde o vulnerável recém-nascido até o adolescente que viaja sozinho e que não sabe o que vai encontrar em uma terra estranha", acrescentou.

A maioria de crianças sofre de fortes angústias depois de ter vivido situações traumáticas, como a de ver pessoas que viajavam com ela se afogando ou de ter sofrido ferimentos graves durante a travessia e embora o organismo não possa determinar o número exato de crianças que chegaram à Europa como um todo ou à Itália em particular, sabe-se que 91% delas entraram sozinhas no continente pela Itália.

Essa porcentagem foi de 75% no ano passado, segundo estatísticas do Unicef, que criou espaços em navios da Guarda Costeira para atender as crianças pequenas. Enquanto os adolescentes receberam assistência no momento da chegada e trabalha com os serviços sociais para melhorar as condições de recepção e atribuir-lhes tutores o mais rápido possível, já que pelo alto número de crianças este procedimento pode demorar até um ano.

Desde a explosão da crise de refugiados, a Itália foi porta privilegiada por onde os refugiados e imigrantes tentaram entrar em território europeu depois de partir da Líbia, mas o êxodo em massa de sírios modificou as rotas no ano passado. As ilhas gregas se transformaram assim nos principais pontos de entrada na Europa, mas em 2016 os fluxos de refugiados e imigrantes voltaram a se concentrar nas rotas que levam até à Itália.

Sua composição voltou a ser predominantemente de pessoas originárias de África Ocidental, com um significativo aumento de pessoas provenientes do Egito. Até a semana passada, 144 mil refugiados e imigrantes chegaram à Itália, de acordo com as autoridades nacionais.

Mais de 3.100 pessoas se afogaram em 2016 nessa região do Mar Mediterrâneo, o que faz já este ano o mais custoso em vidas humanas desde que os registros começaram a ser feitos.

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