Trump afirma que eleições americanas estão sendo manipuladas

Washington, 17 out (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que as eleições do próximo dia 8 de novembro, onde enfrentará a democrata Hillary Clinton, estão sendo manipuladas "nas urnas" em favor da ex-primeira-dama do país.

O magnata imobiliário viajou para Wisconsin, estado onde tem poucas possibilidades de vencer - desde 1988 os democratas saem vencedores - mas muito simbólico pelo confronto que mantém com o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Paul Ryan, nascido no local.

Trump, nesta segunda, reuniu milhares de pessoas em Green Bay (Wisconsin) aos gritos de "Paul Ryan é uma porcaria" e centrou seu discurso em uma suposta fraude eleitoral onde insiste há semanas sem apresentar provas e do que o aparelho republicano tomou distância.

Trump afirmou que cerca de 1,8 milhão de pessoas que já morreram estão registradas para votar nas eleições presidenciais.

"Se eles votarão em mim, podem falar. Mas tenho o pressentimento que não vão votar em mim", brincou o magnata, ao acrescentar que todos estes mortos votarão "em algum outro" candidato, em alusão a Hillary Clinton.

Trump disse também que 2,75 milhões de pessoas estão inscritas para votar em mais de um estado e que 14% dos imigrantes ilegais também o estão, o que equivale a 1,5 milhão de pessoas aproximadamente.

"Descobrimos que esta participação era grande o suficiente para decantar a vitória democrata em várias disputas apertadas", disse Trump, insinuando que o presidente dos EUA, Barack Obama, ganhou as eleições de 2008 na Carolina do Norte, uma disputa que foi decidida por mais de 14 mil votos, graças aos imigrantes ilegais.

Sem citá-lo, Trump se referiu a continuidade de Ryan e o restante dos dirigentes republicanos que o censuraram por insinuar que as eleições podem estar manipuladas.

"Você ouviu todas estas pessoas dizendo que nada está acontecendo? Gente morta há mais de 10 anos que ainda votam, que imigrantes ilegais votam. Onde está a sabedoria de todos estes políticos? Não têm!", disse.

No último fim de semana, Ryan repudiou o magnata: "A nossa democracia é baseada na confiança nos resultados eleitorais, e o presidente da câmara tem plena confiança em que os estados irão conduzir este processo eleitoral com integridade", afirmou em comunicado.

Antes do comício em Wisconsin, Donald Trump já tinha respondido a Ryan pelo Twitter: "É claro que já existe uma fraude eleitoral em grande escala antes das eleições. Por que os líderes republicanos negam o que está ocorrendo? É tão ingênuo!".

"Paul Ryan, um homem que não sabe como ganhar - como há quatro anos, quando foi candidato a vice-presidente e perdeu -, deve começar a se concentrar no orçamento, Forças Armadas, veteranos etc.", afirmou.

Trump, assim, voltou para a guerra aberta contra uma cúpula republicana que não lhe devolve os golpes, guarda em silêncio e se concentra em fazer campanha nos estados para não perder o controle do Senado nas eleições de novembro.

A hostilidade entre Ryan e Trump está aumentando desde que o congressista rompeu a trégua que mantinha com o magnata e anunciou na semana passada que não faria mais campanha para ele, mas se concentrará em manter as maiorias republicanas nas câmaras legislativas.

Ryan, além disso, retirou então o convite que tinha feito a Trump para participar de um de seus atos de campanha para a reeleição como congressista.

Embora Ryan vem sendo o foco da ira de Trump, seu próprio candidato a vice-presidente, Mike Pence, disse no último domingo que tanto ele como o magnata "aceitarão o resultado das eleições e a vontade do povo americano".

Enquanto isso, Trump segue com a campanha, com dois atos previstos para esta terça-feira, no Colorado, já sua rival, a democrata Hillary Clinton, está concentrada no terceiro e último debate presidencial, previsto para quarta-feira, em Las Vegas (Nevada).

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