Acusado de matar família brasileira crê que terá defesa melhor na Espanha

Rio de Janeiro, 19 out (EFE).- Acusado do assassinato dos quatro membros de uma família brasileira na cidade de Pioz, na Espanha, Patrick Gouveia, que era sobrinho de uma das vítimas, decidiu se entregar voluntariamente no país europeu, onde considera que terá melhores condições de se defender do que no Brasil, disse nesta quarta-feira à Agência Efe um dos advogados do jovem, de 20 anos.

Gouveia, de 20 anos e sobrinho do pai da família assassinada, chegou hoje a Madri em um voo procedente de São Paulo e foi detido imediatamente por agentes da Guarda Civil espanhola.

"Patrick resolveu retornar e se entregar voluntariamente por considerar que tem melhores condições de apresentar sua defesa na Espanha do que em processo por via indireta no Brasil", explicou o advogado Eduardo de Araújo Cavalcanti, que representa sua família.

Cavalcanti acrescentou que a família já entrou em contato com o advogado que defenderá Gouveia na Espanha e que de agora em diante o processo seguirá todo o trâmite previsto no código penal espanhol.

"Ele quis retornar porque está descontente com a história que antecipou a passagem de volta da Espanha para o Brasil para fugir. Agora ele quer mostrar que não fugiu, que não se esconde no Brasil e que não pretende fugir para outro país", explicou Cavalcanti.

"(Gouveia) já tinha deixado isso claro quando se apresentou voluntariamente para prestar depoimento às autoridades brasileiras quando se inteirou que tinham ordenado sua prisão na Espanha", acrescentou.

A investigação desenvolvida pela guarda civil na Espanha aponta Gouveia como o assassino de seu tio, sua esposa e os dois filhos pequenos do casal, cujos corpos foram encontrados em 18 de setembro em sacos plásticos dentro de casa, em Pioz. Dois dias depois, Gouveia antecipou seu retorno ao Brasil.

Cavalcanti afirmou à Efe que seu cliente era ciente de que o governo brasileiro não o extraditaria e que teria que enfrentar um processo no Brasil baseado nas acusações feitas na Espanha, por isso considerou mais conveniente retornar voluntariamente.

"(Gouveia) não confessou (o crime) a sua família e terá que se reunir com seu advogado na Espanha para decidir qual será a melhor estratégia para se defender", afirmou Cavalcanti ao ser questionado se o acusado se declarará culpado ou inocente às autoridades espanholas.

O advogado brasileiro relatou que a entrega voluntária foi decidida após uma conversa que teve com a família de Gouveia no domingo, poucas horas após retornar de uma viagem à Espanha na qual se reuniu com autoridades e teve acesso a parte do processo.

"Conversei com a Guarda Civil, o juiz e o promotor do caso. Tive acesso a algumas provas e indícios. Na sexta-feira já tinha sido liberado parte do sumário. Então tivemos uma reunião com a família e lhes apresentei minha impressão sobre o caso, e o próprio Patrick disse que era melhor retornar, e a família aceitou", afirmou.

De acordo com o advogado, Gouveia voltou hoje à Espanha pelas vias regulares, sem intervenção da Justiça, e a decisão foi comunicada à Guarda Civil espanhola, com a qual não foi negociado nenhum benefício.

"Entrei em contato com o investigador da Guarda Civil para avisá-lo do retorno. Combinei tudo com ele, tudo transcorreu normalmente. Só acertamos que eles o recebessem no aeroporto e lhe concedessem as mesmas prerrogativas que todo preso tem", explicou.

Cavalcanti acrescentou que a outra preocupação da família é a repatriação dos corpos, porque não têm condições para custeá-la.

"Eles não podem pagar e querem ser ajudados de alguma forma", afirmou o advogado.

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