AI denuncia R. Unido e França por atuação com jovens do acampamento de Calais

Paris, 19 out (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quarta-feira os "insuficientes" esforços das autoridades do Reino Unido e França para que as crianças e adolescentes que vivem em más condições no acampamento de Calais tenham os familiares localizados.

"Embora ontem, 12 menores cruzaram legalmente o Canal da Mancha para se juntar com familiares no Reino Unido, a Anistia Internacional denuncia os esforços insuficientes das autoridades britânicas e franceses no plano de evacuação e realojamento na França dos imigrantes e refugiados de Calais", diz comunicado.

A divulgação do manifesto acontece no momento em que o acampamento está prestes a ser fechado, depois que as autoridades francesas conseguiram sinal verde para esvaziar as precárias e insalubres instalações.

A data de início das operações de evacuação não foi divulgadas, mas a imprensa francesa veiculou que deverá ser na próxima segunda-feira.

De acordo com dados do Unicef, citados pela AI, há 1.200 menores desacompnhados de adultos, o que representa entre o 15% e o 20% dos moradores do acampamento, que, segundo o governo francês, totalizam cerca de 6.500 (10.000 para as ONG). A maioria dos habitantes vêm de países instáveis e pobres como o Sudão, Afeganistão ou Eritreia.

Os menores são considerados o elo mais vulnerável dentro do acampamento. As organizações humanitárias alertaram a falta de cuidado com os jovens, os tornam alvos fáceis para cair nas mãos de organizações criminosas, redes de prostituição ou tráfico de órgãos.

"No direito europeu, existe a lei 'Dublin III', que prevê que os governos adotem as medidas necessárias para que o reagrupamento familiar dos que podem asilo, sem que esse direito se limite apenas aos jovens sem companhia", diz no texto Jean-François Dubost, responsável pelo programa de Proteção das Populações da AI na França.

Segundo AI, a evacuação de Calais deverá "respeitar a dignidade" dos que vivem em "condições degradantes" do acampamento e afirmou que a operação tem que "respeitar as regras internacionais".

"Existe o risco de que se dispersem na França e não possam exercer eficazmente seu direito a reencontrar os parentes no Reino Unido", alertou a organização.

O governo francês conta com realojar os imigrantes e refugiados em 164 Centros de Amparo e Orientação (CAO) do país. Vários prefeitos e governantes regionais de centro e extrema-direita, no entanto, estão se opondo a recebê-los.

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