Assédio a opositores da monarquia preocupa premiê da Tailândia

Bangcoc, 19 out (EFE).- O primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-ocha, expressou sua preocupação pelos casos de assédio e agressões a opositores do regime monárquico após a morte do rei Bhumibol Adulyadej na última quinta-feira, informou nesta quarta-feira o governo.

O porta-voz do Executivo, Sansern Kaewkamnerd, detalhou em um comunicado que o primeiro-ministro pediu aos tailandeses que informem às autoridades sobre qualquer incidente e que não tentem fazer justiça com as próprias mãos.

Nos últimos dias, aumentou o número de pessoas detidas por supostamente criticarem a família real, um crime de lesada altivez que na Tailândia é punido com entre três e 15 anos de prisão.

No último domingo, uma tailandesa de 43 anos foi detida pela polícia por supostamente ter injuriado o rei e foi obrigada a se ajoelhar diante de um retrato de Bhumibol na ilha de Samui, no sul do país, enquanto uma multidão a repreendia e a filmava com seus telefones celulares.

No dia seguinte, uma senhora, que aparentemente tem problemas psiquiátricos, foi agredida e insultada após difamar o falecido monarca em um ônibus na capital Bangcoc, segundo um vídeo divulgado pelo site "Khaosod".

Na província de Chonburi, no oeste do país, um tailandês foi obrigado a sair de sua casa e foi agredido na terça-feira enquanto era forçado a reverenciar uma fotografia do falecido monarca, a quem teria supostamente ofendido em mensagem no Facebook.

O governo da Tailândia informou hoje que o ex-primeiro-ministro Thanin Kraivichien foi nomeado presidente do Conselho Privado do monarca em substituição a Prem Tinunlasonda, que temporariamente atua como regente.

O vice-primeiro-ministro, Wissanu Krea-ngam, indicou que a escolha de Thanin, que era um dos 19 integrantes do Conselho, segue o que determina a lei, que estipula que o presidente desse órgão ocupe o cargo de regente caso o trono esteja vacante, segundo a imprensa local.

Thanin, de 89 anos, foi nomeado primeiro-ministro após o golpe de Estado de 1976, após o massacre de dezenas de estudantes na Universidade de Thammasat durante os protestos que foram reprimidos com violência pelas forças de segurança, e foi deposto um ano mais tarde.

A Tailândia se encontra em um período de regência depois da morte de Bhumibol, que será substituído nas próximas semanas pelo príncipe herdeiro, Vajiralongkorn, de 64 anos.

O príncipe herdeiro pediu um tempo de luto antes de aceitar a proclamação como monarca e está previsto que uma de suas primeiras tarefas seja a assinatura da nova Constituição, aprovada em agosto em um referendo.

Bhumibol, que faleceu aos 88 anos e era o decano dos chefes de Estado do mundo após sete décadas no trono, foi o único rei que a maioria dos tailandeses conheceu, que o consideravam quase um ser divino, símbolo de unidade e guia da nação.

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