Combates entre governo e rebeldes continuam horas antes de trégua no Iêmen

Khaled Abdullah.

Sana, 19 out (EFE).- Um cessar-fogo de 72 horas entrará em vigor à meia-noite desta quarta-feira (hora local) no Iêmen, após um acordo estipulado com mediação de ONU, Estados Unidos e Reino Unido, e aceito pelo governo iemenita e os rebeldes houthis xiitas, que, por enquanto, não interromperam as hostilidades.

Horas antes do início da trégua, o exército leal ao presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi, disse em comunicado que realizou um amplo ataque contra posições dos rebeldes e seus aliados no litoral oeste do país, perto da cidade estratégica de Midi, às margens do Mar Vermelho.

O exército de Mansour Hadi acrescentou na nota que as tropas governamentais estão avançando rumo a Midi, que, além disso, é o porto marítimo iemenita mais próximo da Arábia Saudita e da região de Saada, reduto dos rebeldes houthis no norte do Iêmen.

Além disso, o exército governamental destacou que suas forças, apoiadas pela aviação da aliança militar liderada pela Arábia Saudita, tomaram o controle de várias posições dos rebeldes e que pelo menos 30 milicianos houthis morreram nos combates.

No comunicado, o exército garantiu que suas operações continuam, sem fazer menção ao cessar-fogo, que está previsto que entre em vigor às 23h59 do Iêmen (18h59 de Brasília).

A ONU anunciou no dia 17 de outubro que a trégua será de 72 horas e poderá ser renovada, segundo um comunicado do mediador da organização para o Iêmen, Ismail Ould Sheikh Ahmed.

As Nações Unidas garantiram que tanto o governo de Hadi como os rebeldes houthis tinham se comprometido a cumprir o cessar-fogo, proposto em primeira instância por EUA e Reino Unido.

Londres comunicou na semana passada sua intenção de promover uma nova resolução no Conselho de Segurança da ONU para impor um cessar-fogo no Iêmen, mas esta iniciativa não seguiu adiante para que fosse dada uma oportunidade para esta nova trégua.

Por outro lado, os rebeldes iemenitas emitiram hoje um comunicado no qual notificaram "sua resposta positiva a todas os pedidos sobre a necessidade de um cessar-fogo imediato, permanente e íntegro por terra, mar e ar".

O Conselho Político Superior, órgão criado pelos rebeldes como um governo paralelo para dirigir o Iêmen, deu sinal verde para a trégua da ONU, segundo a agência de notícias "SABA", controlada pelos houthis.

Na última segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Executivo de Hadi, Abdulmalik al Mekhlafi, anunciou que o presidente aceitou um cessar-fogo de 72 horas no país, mas com condições, segundo uma mensagem divulgado através do Twitter.

Mekhlafi exigiu a suspensão do bloqueio da cidade de Taiz, no sudoeste do Iêmen, assediada há cerca de um ano pelos rebeldes houthis e seus aliados, e uma das mais castigadas pelo conflito.

Hoje, o coordenador humanitário da ONU para o Iêmen, Jamie McGoldrick, disse em entrevista coletiva na capital iemenita, Sana, que Taiz é uma das áreas mais difíceis de serem acessadas, mas a organização internacional espera conseguir fazê-lo durante a próxima pausa para entregar ajuda humanitária.

O representante das Nações Unidas desejou que todas as partes respeitem plenamente o cessar-fogo e que este possa ser prolongado por mais de 72 horas, para que possam ser retomadas as negociações de paz.

McGoldrick destacou que, além da violência, a economia do país está em uma situação desastrosa, por isso há escassez de combustível, remédios e produtos básicos, e os níveis de desnutrição detectados em algumas regiões são "astronômicos".

Um exemplo preocupante é a aparição do cólera, que já tem 18 casos confirmados e 340 possíveis, segundo a Organização Mundial da Saúde, porque as infraestruturas de água e saneamento foram destruídas durante os combates e a população não tem acesso à água potável.

Este é o sexto cessar-fogo anunciado no Iêmen desde o início da intervenção no país da coalizão liderada pela Arábia Saudita em março de 2015, o que levou ao recrudescimento do conflito interno.

Nos episódios anteriores, as tréguas sempre fracassaram, apesar da aceitação de todas as partes, incluída a aliança militar de países árabes e muçulmanos sunitas, que atua contra os rebeldes xiitas, supostamente apoiados pelo Irã.

A ONU, os EUA e o Reino Unido se reuniram com representantes da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, os principais aliados da coalizão, antes de anunciar sua iniciativa.

Por enquanto, não foi estipulada nenhuma data para uma possível nova rodada de negociações, depois que a última terminou sem acordo em agosto.

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