Liderança de Abbas se apaga, mas horizonte não mostra substituto claro

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 19 out (EFE).- A recente internação do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de 81 anos, por problemas cardíacos e as crescentes críticas a seu trabalho colocaram novamente em debate sua complicada sucessão.

Mais de dez anos depois da morte de Yasser Arafat, ainda não foi possível manter a unidade do povo palestino (dividido entre os territórios de Gaza e Cisjordânia e entre os movimentos Hamas e Fatah) ou despertar o apoio popular que o histórico líder tinha.

Mas também não há nenhuma outra figura que tenha claramente a aprovação de grande parte da população, nem, com a atual divisão interna, existe a possibilidade da realização de eleições, como exige a lei.

A avançada idade de Abbas, seu cada vez mais delicado estado de saúde e sua popularidade em declínio fazem prever que não levará muito tempo para que ele deixe o poder. Abbas informou a pessoas próximas que cogita deixar a política e apoiará quem seu partido, o Fatah, indicar para substituí-lo, informou recentemente a Rede de Notícias Palestina.

A agência de notícias "Al Quds" disse neste mês que os líderes do Fatah já estão negociando um nome, mas, das portas para fora, ninguém fala abertamente em possíveis substitutos.

"Ainda não há negociações para substituir o atual presidente", afirmou à Efe Mohamad al Madani, do Comitê Central do Fatah.

Abdulraheem Malouh, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), declarou à Efe que "o único que pode escolher o próximo presidente é o povo, por meio de eleições" e rejeitou "qualquer intervenção árabe ou internacional" para designar o próximo líder.

Embora o presidente tenha que se eleger nas urnas, a realidade é que não é realizado um pleito desde que Abbas foi eleito para um mandato de quatro anos, em 2005, e o confronto entre Fatah e Hamas impede que outro aconteça.

É provável, portanto, que o Conselho Executivo da OLP, liderado pelo Fatah, eleja um candidato.

A última pesquisa de intenções de voto, divulgada em setembro pelo Centro JMCC, mostra a inexistência de um líder claro e afirma que mais de um terço dos cidadãos não sabem em quem votar.

O líder com mais apoios, com apenas 10,5%, é Marwan Barghouti, um improvável presidenciável, já que está preso em Israel há 14 anos cumprindo cinco penas perpétuas, além de 40 anos por crimes cometidos durante a Segunda Intifada.

Em seguida aparece o ex-primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, com 9,8%, mas ele já viveu a rejeição internacional quando, em 2007, assumiu o posto de primeiro-ministro.

Na terceira posição ficou o ex-chefe de segurança do Fatah em Gaza, Mohammed Dahlan, com 5,1%. Mas Abbas o expulsou do partido e o declarou "persona non grata" na Palestina, por isso é muito difícil que ele seja escolhido.

O aparente favorito de Abbas, Saeb Erekat, nomeado no ano passado como secretário-geral da OLP (cargo que Abbas teve antes de ser presidente), tem contra si não ter forte apoio interno no Fatah. Na pesquisa do JMCC, ele aparece em quarto, com 3,3%.

Também com esta porcentagem ficou o líder do Hamas no exterior, Khaled Meshaal, que anunciou recentemente que não voltará a concorrer à liderança do movimento islamita.

Outra pesquisa, da agência Dunia Al Watan, com sede em Gaza, também mostra como favorito Barghouti, seguido por Nasser Al Kidwa, membro do Comitê Central do Fatah e que foi ministro das Relações Exteriores, representante da OLP na ONU e, sobretudo, sobrinho de Yasser Arafat.

Essa consulta também aponta como possíveis candidatos outros três pesos pesados do Fatah: Yibril Rajoub, Taufiq Tirawi e Mohammed Shteyeh.

O primeiro é o ex-chefe da segurança palestina e atual presidente da Federação Palestina de Futebol. Tirawi, muito próximo de Arafat, é general e dirigiu a Inteligência na Cisjordânia por 14 anos (até 2008), e Shteyeh procede do campo econômico e foi ministro de Habitação e de Desenvolvimento e Reconstrução.

Outra possibilidade, e uma das que poderia receber mais apoios do exterior, seria o ex-primeiro-ministro e economista Salam Fayyad, que no entanto não pertence ao Fatah e não conta com reconhecimento popular similar ao que tem entre governos estrangeiros.

Embora o negue publicamente, é sabido que o Fatah já analisa nomes, afirmou à Efe o analista político Akram Atallah, que apontou Barghouti e Al Kidwa como principais concorrentes de Fayyad.

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