Merkel e Hollande exigem que Putin pare crimes de guerra em Aleppo

Berlim, 20 out (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, exigiram nesta quarta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, pare os bombardeios sobre a cidade síria de Aleppo, que tacharam de crimes de guerra, mas não conseguiram firmar nenhum compromisso com o principal aliado de Damasco.

Merkel e Hollande abordaram a guerra da Síria durante mais de uma hora e meia com Putin em Berlim, após o término da cúpula convocada no denominado formato de Normandia junto ao presidente ucraniano, Petro Poroshenko, para tentar solucionar o conflito no leste da Ucrânia.

"Tivemos uma conversa muito clara e dura com o presidente Putin", afirmou a líder alemã, que classificou como "desumanos" os bombardeios sobre Aleppo e alertou que não se pode iniciar um processo político na Síria enquanto não houver garantias de uma trégua duradoura.

De acordo com Hollande, a "impressão" ao sair da reunião foi que a cessação dos bombardeios que começou na terça-feira poderia se prolongar, mas não quis antecipar os eventos porque, segundo lembrou, cabe a Putin demonstrar isso.

O atual cessação dos bombardeios, segundo Merkel, é apenas um ponto de partida para permitir que cheguem provisões às partes sitiadas da cidade, mas não a solução.

Apesar da falta de avanços, Hollande e Merkel ressaltaram a importância de terem sido francos e evitaram falar de propor novas sanções contra a Rússia a seus parceiros da União Europeia porque, embora essa opção esteja sobre a mesa, a prioridade é proteger a população civil e garantir a chegada de ajuda humanitária, afirmaram.

Ambos concordaram que o regime de Bashar al Assad e a Rússia não podem usar a luta contra os terroristas como "desculpa" para bombardear uma cidade na qual vivem 300 mil civis.

"Somos países que combatem com determinação o terrorismo, mas isso não legitima que 300 mil pessoas morram por essa causa", disse Merkel, enquanto Hollande defendia a necessidade de não confundir a oposição síria moderada com a frente de Al Nusra e alertava para a impossibilidade de evacuar toda a população civil.

Como exemplo de que é possível lutar contra o terrorismo sem prejudicar os civis, o presidente francês mencionou a ofensiva sobre Mossul contra o Estado Islâmico, apoiada por seu país.

"Dissemos o que pensamos, como estamos determinados e a pressão que queremos exercer", concluiu, voltando à Síria, convencido de que se a trégua for mantida, o caminho seguido terá sido o certo. Na mesma linha, Merkel deixou claro que é "responsabilidade" de Moscou influir sobre o regime de Damasco.

Pouco antes do início da cúpula em Berlim, a Rússia tinha anunciado que a "pausa humanitária" prevista para esta quinta-feira em Aleppo se prolongaria durante 11 horas, em vez das oito previstas, a pedido das organizações internacionais.

A Força Aérea russa e o Exército sírio cessaram na terça-feira os bombardeios sobre a cidade para permitir essa breve trégua que tem como objetivo evacuar doentes, feridos e civis.

As autoridades de Damasco informaram sobre a saída dos primeiros milicianos opositores, doentes e feridos dos bairros assediados do leste de Aleppo, após o Exército isolar "uma distância" para permitir a evacuação.

Em frente à sede da Chancelaria alemã, onde foi realizada a cúpula, dezenas de cidadãos sírios residentes na Alemanha protestaram contra o regime de Assad e seu aliado russo, enquanto ativistas da ONG Avaaz levaram ursinhos de pelúcia ensanguentados, vendados e quebrados para pedir proteção para as crianças presas em Aleppo.

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