ONG denuncia existência de valas comuns em presídios da Venezuela

Caracas, 19 out (EFE).- A ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou nesta quarta-feira que existem valas comuns em penitenciárias do país, confirmando uma informação publicada em um jornal local que divulgou as acusações de detentos que supostamente foram testemunhas desta situação.

"Esta informação corrobora o que nós vínhamos dizendo há muitos anos, não é novo o que acontece na Penitenciária Geral da Venezuela (PGV)", disse o diretor da OVP, Humberto Prado, à emissora "Unión Radio" ao ser questionado sobre as denúncias a respeito deste presídio.

O jornal de circulação nacional "Últimas Notícias" divulga hoje uma denúncia de um grupo de prisioneiros da PGV de que vários detentos foram assassinados e enterrados em quatro valas comuns no próprio complexo.

Prado reiterou que a situação não é nova e comentou que o OVP e os familiares do preso Francisco Guerrero denunciaram em 2009 seu desaparecimento da PGV, um caso que inclusive foi apresentado ao Comitê Contra a Tortura das Nações Unidas.

"As Nações Unidas decidiram e responsabilizaram o Estado venezuelano por esse desaparecimento (...) Essa decisão saiu no ano de 2014 e só agora é que destacam nas manchetes que há valas comuns, mas há anos se denuncia este tipo de desaparecimento dentro da PGV", comentou o ativista.

O porta-voz da ONG disse que Francisco Guerrero, segundo seus companheiros do presídio, foi vítima dos chamados "pranes" ou líderes que operam dentro da prisão e que cobram de outros internos a chamada "causa" ou o "direito de viver" na penitenciária.

"Cobram a causa os grupos (de presos) que estão organizados que são conhecidos como 'pranes' que estão operando sob o olhar cúmplice do próprio Estado", afirmou Prado, ressaltando que os companheiros de Guerrero lhe informaram que ele, hoje desaparecido, se negou a fazer este pagamento.

Até o momento, o Ministério para o Serviço Penitenciário não se pronunciou sobre o caso.

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