Instrutora de ioga acusa Donald Trump de abuso sexual cometido há 18 anos

(Atualiza com reação da equipe de campanha de Trump).

Nova York, 20 out (EFE).- A instrutora de ioga Karena Virginia acusou nesta quinta-feira o candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter abusado dela há 18 anos.

Virginia concedeu uma entrevista coletiva em Nova York junto com a advogada Gloria Allred, que há uma semana representou outra mulher que teria sofrido abuso por parte de Trump.

A instrutora de ioga, de quem não foram divulgados detalhes muito pessoais, chorou várias vezes ao lembrar de seu encontro com o magnata republicano em 1998, na saída do torneio de tênis US Open.

"Estava esperando um carro para me levar para casa quando me dei conta de que Donald Trump se aproximava. Eu sabia quem era, mas não o conhecia" contou Virginia.

A mulher disse que Trump estava junto com outros homens e que, enquanto o grupo se aproximava, fazia comentários que a fizeram se sentir como um objeto, não como uma mulher.

"Olhem, vejam esta, não a vimos antes, olha essas pernas'. Depois ele se aproximou e, com sua mão direita, pegou meu braço direito e a deslizou", denunciou Virginia.

A instrutora de ioga confessou que manteve esta experiência em segredo já que se sentia envergonhada pelo o que tinha acontecido e que, de fato, o problema com Trump deixou sequelas emocionais e psicológicas.

"Deixei de usar vestidos curtos e saltos altos, me sentia culpada", contou entre lágrimas.

Virginia, no entanto, decidiu publicar seu relato como uma amostra de força e de apoio para outras nove mulheres que também denunciaram episódios de assédio sexual contra o candidato republicano.

"Estou aqui por mim, pela minha filha e pelas outras mulheres que merecem ser respeitadas. Muitos me disseram para não fazer isso por medo, mas cansei", acrescentou.

Desde que as nove mulheres relataram os episódios envolvendo o candidato, Trump rejeitou categoricamente todas estas acusações, chamando todas as mulheres de "mentirosas", e ontem à noite ainda afirmou que algumas delas só buscam "dez minutos de fama".

Já a advogada Gloria Allred, que esteve todo o tempo da coletiva ao lado de Virginia, garantiu que não a conhecia até ela entrar em contato.

Gloria, além disso, voltou a reiterar que apoia a candidatura de Hillary Clinton, mas que sua tendência política não se mistura com seu trabalho profissional.

"Eu apoio Hillary Clinton, mas também tenho meu próprio escritório de advocacia e ninguém me diz o que fazer com ele", disse.

A advogada confirmou que, por enquanto, Karena Virginia não planeja transformar suas acusações em um processo legal formal contra Donald Trump.

Em resposta às acusações, a subdiretora de comunicação da equipe de campanha de Trump, Jessica Ditto, disse que os "eleitores estão cansados dessas atitudes de circo e rejeitam históricas fictícias que, claramente, só buscam favorecer Hillary Clinton".

O comunicado de Ditto afirma que a denúncia de hoje é apenas mais uma ataque por parte de Allred, que está buscando publicidade e prejudicar a reputação do candidato republicano.

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