Acordo de paz na Colômbia será foco de debates na Cúpula Ibero-Americana

Claudia Polanco Yermanos.

Bogotá, 21 out (EFE).- A paz da Colômbia será convidada "obrigatória" da 25ª Cúpula Ibero-Americana que será realizada nos dias 28 e 29 de outubro em Cartagena e na qual, apesar do tema central serem os jovens, o empreendimento e a educação, espera-se que o processo de paz com as Farc esteja em discursos e resoluções.

O que tinha sido imaginado pelo governo colombiano como a apresentação em sociedade de um país que tinha deixado para trás um conflito armado de 52 anos com a guerrilha mais antiga da América, ficou no limbo após a rejeição do acordo com as Farc no referendo do dia 2 de outubro.

Nesse dia os colombianos foram às urnas e venceu a opção de não apoiar o pacto, produto de quase quatro anos de negociações em Havana.

A chanceler colombiana, María Angela Holguín, lamentou dois dias depois do plebiscito, em entrevista à Agência Efe, que o país não possa se apresentar ao mundo na Cúpula Ibero-Americana como um território em paz.

"Fico triste porque queríamos que fosse a primeira Cúpula onde a comunidade internacional viesse ao país em paz, e não vai ser possível porque não vamos estar em paz", disse Holguín.

No entanto, a Secretaria-Geral Ibero-Americana, Rebeca Grynspan, disse recentemente em Madri que a reunião de Cartagena será uma "nova oportunidade para que os governos reiterem seu apoio à Colômbia" e garantiu que se esta ia ser "a Cúpula da paz", será "a Cúpula pela paz".

"Temos a oportunidade que termine em um acordo de paz que dê certeza à população", ressaltou Grynspan, que no mês passado participou como convidada da assinatura do acordo com as Farc no mesmo Centro de Convenções no qual na próxima semana será realizada a XXV Cúpula Ibero-Americana.

Apesar do país viver com a incerteza de não saber se o acordo com as Farc será salvo ou não, o sonho do fim do conflito se manifestará na Cúpula desde antes de seu início, na primeira jornada do XI Encontro Empresarial Ibero-Americano, no dia 27, onde será debatido "a construção de paz a partir do setor privado".

"A Colômbia atravessa um momento-chave que marcará o futuro do país e que terá um impacto na região" é a premissa a partir da qual cerca de 500 empresários dos 22 países da Comunidade Ibero-Americana debaterão o papel que o setor privado deve representar na construção da paz.

Apesar de a paz com as Farc ainda estar em expectativa perante a impossibilidade de pôr em prática o estipulado, espera-se que na declaração final da Cúpula se inclua uma manifestação de apoio à Colômbia, que durante o processo de negociação contou com o apoio incondicional da comunidade internacional neste propósito.

"A Colômbia tem uma oportunidade de deixar um legado de paz às novas gerações", disse Grynspan à Efe em uma visita que fez depois do plebiscito a Cartagena, onde afirmou que há "um compasso de espera da comunidade internacional, dos bancos de desenvolvimento, dos projetos e dos fundos internacionais" comprometidos com o pós-conflito.

Coincidência ou não, a juventude, eixo desta XXV Cúpula, teve um papel fundamental no debate nacional aberto na Colômbia após a rejeição nas urnas ao acordo com as Farc.

Os jovens, se valendo das redes sociais, convocaram manifestações em várias cidades do país para pedir às diferentes forças políticas que entrem em acordo para salvar o processo, uma voz que seguramente também será escutada pela comunidade ibero-americana.

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