América Latina chega à XXV Cúpula Ibero-Americana em meio a tensões internas

Laura Núñez Marín.

Bogotá, 21 out (EFE).- A América Latina chega à XXV Cúpula Ibero-Americana envolvida em tensões internas como as crises na Venezuela e Brasil, a difícil situação econômica em El Salvador e a incerteza na Colômbia, anfitriã, após o rejeição popular ao processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Sob o lema "Juventude, Empreendimento e Educação", os líderes da região se reunirão em Cartagena de Indias nos próximos dias 28 e 29 de outubro para adotar a "Declaração de Cartagena", "Programa de Ação" e o "Pacto Ibero-Americano pelas Juventudes".

No entanto, o panorama não é encorajador, começando pela própria Colômbia, que vive um momento de incerteza política pela rejeição no plebiscito do dia 2 de outubro ao acordo de paz entre o governo do país e as Farc, pacto que contava desde o início das negociações com amplo apoio da comunidade internacional.

Mais delicada é a situação da Venezuela, que vive uma crise ampliada no último ano pelo confronto entre governo e o parlamento, dominado pela oposição, que busca uma forma de convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

Nos mesmos dias em que a cúpula estará sendo realizada, os opositores venezuelanos estarão recolhendo as assinaturas necessárias para ativar o mecanismo que pode tirar Maduro do poder.

Com uma inflação acima de 180% no ano passado, a economia do país foi fortemente afetada pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, o que agravou uma crise social que se manifesta especialmente na escassez de alimentos e remédios.

O Brasil também enfrenta uma forte crise econômica que provocou uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% em 2015, com previsão de nova contração de 3% neste ano. Além disso, o país ainda sofre os efeitos dos esquemas de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato e do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que culminou com a chegada de Michel Temer ao poder.

A economia também é um problema para El Salvador, país que corre o risco de declarar moratória de sua dívida em curto prazo se o Congresso não aprovar a emissão de US$ 1,2 bilhão, fato que se soma à já complicada situação de violência e segurança.

O México também chega à cúpula com problemas similares. Abalado pelos recentes casos de violência do narcotráfico, o país também sofre dificuldades econômicas pela queda das cotações do petróleo.

O mesmo mal afeta o Equador, não só pelos choques externos provocados pela volatilidade do mercado petroleiro, principal produto de exportação do país, mas também pelo fortalecimento do dólar, adotado como moeda pelo país em 2000.

Cuba, que há dois anos iniciou o processo de restabelecimento de relações com EUA, chegará a Cartagena com uma imagem da diferente da mostrada em 2014 na Cúpula de Veracruz. As reformas econômicas, embora tímidas, começam a se refletir na sociedade da ilha.

Vários presidentes estrearão em cúpulas ibero-americanas em Cartagena, entre eles o argentino Mauricio Macri, que assumiu em dezembro de 2015 e encerrou 12 anos de governos kirchneristas com uma abertura econômica e política para o mundo, além de reformas para diminuir a pobreza e combater o narcotráfico que não foram, no entanto, totalmente populares.

O Chile enfrenta, por sua vez, a diminuição da confiança de empresários e consumidores pelo ciclo de crescimento de sua economia, também afetado pelos escândalos causados por denúncias de financiamento ilegal de campanhas políticas por empresas privadas.

A agitação política ronda o Paraguai, onde se intensificam as ações da guerrilha do Exército do Povo Paraguaio (EPP), que mantém sequestradas três pessoas e que em agosto matou oito militares.

Também estreará na comunidade ibero-americana o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, eleito em meio ao escândalo de corrupção que custou o cargo de seu antecessor, Otto Pérez Molina, e que também tem parentes envolvidos em denúncias similares.

Escândalos sacudiram também o Panamá pela divulgação dos famosos Panama Papers sobre uso do país como paraíso fiscal por milionários de todo o mundo, o que levou ao governo a uma campanha diplomática para limpar a imagem do país e adotar medidas para combater a evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Com esse cenário de fundo, os líderes latino-americanos se sentarão à mesa da comunidade ibero-americana para pensar no futuro de seus jovens sob a ótica do empreendimento e a educação.

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