HRW denuncia bloqueio de ajuda humanitária ao estado birmanês de Rakhine

Bangcoc, 21 out (EFE).- A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta sexta-feira o bloqueio do acesso de ajuda humanitária ao estado birmanês de Rakhine, no oeste do país, onde vivem os rohingya, uma minoria étnica.

No início do mês, um grupo armado não identificado atacou três grupos policiais na fronteira com Bangladesh, o que levou às autoridades a reforçar a segurança no local. Isso desencadeou uma série de distúrbios, que não parou desde então e que já deixou pelo menos 40 pessoas mortas.

"A recente violência no norte do estado Rakhine levou o Exército a negar o acesso às agências de ajuda que proporcionam serviços essenciais de saúde e alimentos a pessoas em risco", apontou o diretor da HRW para a Ásia, Brad Adams, em comunicado.

As forças de segurança birmanesa declararam a área como "zona de operações" para começar as batidas na busca de assaltantes e impuseram um rígido controle de entrada e saída nos principais acessos. Segundo ativistas da minoria rohingya, etnia não reconhecida pelo governo birmanês, os soldados enviados cometeram sérios abusos durante as operações, entre eles execuções sumárias e incêndio em aldeias.

"Os rohingya são especialmente vulneráveis por causa da campanha de limpeza étnica registrada em 2012 e muitos dependem da ajuda humanitária para sobreviver", disse Adams.

A HRW pediu ao Executivo birmanês para respeitar os tratados internacionais sobre os direitos humanos assinados e permitir o acesso dos envios de ajuda humanitária até a região de conflito de maneira urgente.

"O governo birmanês tem a responsabilidade de buscar e prender os criminosos, mas é necessário fazê-lo de modo que respeite os direitos humanos", afirmou o diretor para a Ásia da Human Rights Watch.

Mais de 1 milhão de rohingya vive em Rakhine, uma minoria que reside em Mianmar há séculos, mas cujos membros não são reconhecidos pelas autoridades como cidadãos birmaneses, mas sim como imigrantes bengalis. Ao todo, 120 mil deles vivem confinados em 67 campos nesse estado e sofrem todo tipo de restrição desde o surto de violência sectária em 2012 que deixou pelo menos 160 mortos.

O caso dos rohingya é um assunto sensível na política birmanesa, condicionada por grupos radicais budistas que levaram o Executivo anterior a adotar várias medidas discriminatórias contra esse grupo, incluindo a privação de movimento.

Em agosto, o governo birmanês criou uma comissão liderada pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, que elaborará um relatório com recomendações para solucionar o conflito sectário.

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