PSOE se divide sobre apoio à formação de novo governo conservador na Espanha

Fernando Pajares.

Madri, 22 out (EFE).- Muito divididos, membros do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) decidem neste domingo se vão facilitar nos próximos dias a formação de um novo governo conservador para substituir o atual, interino há mais de 300 dias.

A direção do PSOE, o chamado Comitê Federal, composto por quase 300 membros, parece inclinado a permitir que uma parte ou até mesmo todos seus parlamentares se abstenham em uma eventual sessão de posse do conservador Mariano Rajoy, presidente interino do Governo e líder do Partido Popular (PP).

Os defensores dessa medida pretendem evitar a convocação de uma terceira eleição geral em menos de um ano, já que os espanhóis foram às urnas em 20 de dezembro de 2015 e 26 de junho de 2016, sem que os parlamentares chegassem a um acordo para formar um novo governo.

O PP de Rajoy venceu ambos os pleitos, mas não obteve a maioria suficiente para formar o governo sem o apoio do PSOE. Dessa forma, os conservadores precisam que pelo menos 11 deputados socialistas se abstenham em uma votação que deve ser realizada até o fim do mês.

O Congresso é formado por 350 deputados. Para se manter no poder, Rajoy precisa de 176 votos na primeira votação e maioria simples na segunda. Em 31 de outubro, determina a constituição, termina o prazo para dissolver o parlamento e convocar novas eleições caso os líderes políticos não cheguem a um acordo sobre o governo.

Entre os socialistas, há um número indeterminado - mas grande, em todo caso - de defensores da manutenção do "não" a Rajoy se ele se candidatar à presidência do Governo da Espanha outra vez.

Na véspera da crítica reunião do Comitê Federal do PSOE, várias centenas de militantes se concentraram em frente à sede do partido, em Madri, para pressionar os membros do partido a vetar Rajoy.

A posição já foi defendida pelo ex-secretário-geral do PSOE Pedro Sanchéz, que, até mesmo por se manter intransigente, foi forçado a renunciar à liderança do partido no início do mês.

A renúncia de Sánchez, após uma polêmica reunião, provocou uma das crises mais graves do PSOE, que governo a Espanha em 21 dos 39 anos desde que o país retomou o sistema democrático.

Segundo o responsável pela comissão que lidera o partido de forma temporária, Javier Fernández, o PSOE só avaliará neste domingo se opta ou não pelo "não" a Rajoy. Caso vença um possível apoio ao presidente do Governo interino, será preciso decidir quais serão os próximos passos na semana que vem: se todos se abstêm ou apenas os 11 parlamentares necessários para eleição do líder do PP.

A decisão também promete ser complexa, porque há divisão entre os membros do PSOE. Alguns defendem que o voto deve ser livre. Outros já se anteciparam e disseram que não apoiarão Rajoy independentemente do que for decidido pelo Comitê Federal.

Se a abstenção ocorrer, total ou parcialmente, o calendário para a formação do novo governo se encerra na próxima semana. Na segunda e na terça-feira, seria realizada uma rodada de consultas com o rei Felipe VI no Palácio da Zarzuela. Depois, a partir da quarta-feira, seriam convocadas as duas votações para confirmar o nome de Rajoy.

No dia 30, o monarca comunicaria à presidente do Congresso, Ana Pastor, sobre o resultado da eleição parlamentar e dar posse a Rajoy como presidente do Governo.

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