Vice de Hillary fala sobre reta final de campanha e valoriza voto latino

Washington, 22 out (EFE).- Companheiro de chapa da democrata Hillary Clinton nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, Tim Kaine abordou neste sábado em entrevista à Agência Efe a reta final do pleito, marcado para o dia 8 de novembro, os desafios da comunidade latina no país e como tratará as relações com a América Latina se for eleito pela população norte-americana.

Kaine disse que os EUA vivem um "momento hispânico", destacou que não pode haver recuo quanto à normalização das relações diplomáticas com Cuba, apoiou o processo de paz na Colômbia e reiterou a necessidade de uma reforma migratória integral no país.



Agência Efe: Os Estados Unidos estão criando novos laços na América Latina com as novas políticas do presidente Barack Obama em direção a Cuba. Como um governo Hillary vai trabalhar com Havana depois dos passos dados pelo atual presidente?

Resposta: Acredito que estamos em processo de normalização de relações com Cuba. E o processo vai seguir adiante, nunca para trás. A rapidez do processo depende. Pode ser rápido, lento, mas precisamos trabalhar com Cuba sobre assuntos de importância, especialmente direitos humanos.

Nosso processo com Cuba está ajudando os EUA (em suas relações) com cada país das Américas. Normalizar a relação com Cuba está abrindo as portas de outros países, e eu e Hillary queremos trabalhar junto com as nações do continente, desde o (rio) Yukon (no Alasca) até a Patagônia. E trabalhar de uma maneira distinta especial com as nações das Américas.



Efe: Como membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o senhor também seguiu de perto o processo de paz da Colômbia, e após o resultado do referendo vencido pelo "não", o que esperar do ex-presidente (Álvaro) Uribe e do presidente (José Manuel) Santos nas próximas semanas para promover o acordo?

R: Nós devemos respeitar o referendo da população colombiana, mas também apoiamos este processo de paz. No futuro de um país, todos precisam de paz, mas especialmente os colombianos. Estou muito contente pelo fato de que depois do resultado, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo estão dizendo que vão manter o cessar-fogo, que o referendo não ocorreu, mas que não vamos retornar aos tempos de guerra, porque a paz é o futuro.

Parabenizo o presidente Santos pelo Prêmio Nobel, esta honra tão grande por seus esforços. Os EUA irão apoiar o processo até o fim, porque a Colômbia é um aliado bem importante para nós, não só nas Américas. Eles estão nos ajudando em exercícios de paz no Egito e em outras partes do mundo.



Efe: O senhor sempre defendeu o papel da Espanha para explicar o desenvolvimento das relações entre EUA e América Latina. O vice-presidente Joe Biden dedicou muito tempo de seus dois mandatos à América Central. Espera trabalhar dessa forma se vencer as eleições de novembro?

R: Sim, claro. Eu falei muitas vezes com Hillary sobre isso. O papel mais importante do vice-presidente é oferecer conselhos ao presidente sobre qualquer decisão importante, mas também ter dois ou três projetos grandes relacionados a sua experiência. E falei com Hillary sobre a relação com as Américas e a Espanha, porque somos uma nação de raízes hispanas desde Santo Agostinho, Porto Rico, Santa Fé, fora o fato de eu ser chefe do Conselho Estados Unidos-Espanha no Senado. Quero trabalhar essa relação. Acredito que estamos em um momento hispânicos nos EUA. E o papel da Espanha nisso vai ser muito importante.



Efe: Portanto, você quer um desses dois ou três projetos pessoais seja exatamente esse?

R: Preciso falar mais com Hillary depois das eleições sobre os projetos específicos, mas trabalhar com as 37 nações das Américas e do Caribe é um deles. Também quero trabalhar com prefeitos e governadores devido a minha experiência em Richmond e Virgínia sobre propostas de desenvolvimento econômico. Nos primeiros cem dias, Hillary disse que vamos trabalhar em uma reforma do sistema de imigração, e então poderei falar com meus colegas no Senado e na Câmara dos Representantes sobre isso, mas também vamos focar esses primeiros dias em uma proposta de lei bem importante para evoluir e melhorar a economia, uma economia que funcione para todos.

E minha parte nisso vai ser trabalhar com os prefeitos e os governadores. Todos querem ações que possam melhorar a economia, seja de um líder republicano ou democrata.



Efe: Falando de imigração, o candidato republicano Donald Trump fez uma campanha muito dura. A retórica dele mudou a maneira como as eleições são vistas. Falamos muito de racismo, ódio, medo. Como o senhor acredita que essas palavras impactaram na sociedade norte-americana? Está preocupado com isso?

R: Estou preocupado. Temos uma grande responsabilidade, imediatamente depois das eleições, que, se Deus quiser, venceremos, de garantir à comunidade latina de que todos somos iguais, todos somos americanos. E vamos trabalhar todos juntos. Precisaremos trabalhar imediatamente com o Congresso. Acredito que os eleitores no dia 8 de novembro irão mandar uma mensagem bem clara de que querem uma reforma do sistema de imigração, que não querem que nosso país seja uma nação de deportação. Precisamos de uma reforma integral, e os eleitores mandarão essa mensagem clara. Então, Hillary e eu teremos que trabalhar com o Congresso. Como você sabe, no Senado, tínhamos quase 70 votos em junho de 2013 por um acordo bipartidário (sobre o assunto). Os votos ainda estão lá no Senado, mas estamos esperando pela Câmara dos Representantes. Espero que essa mensagem dos eleitores exerça influência e possamos trabalhar diretamente com o presidente da Câmara, Paul Ryan, e outros para finalmente encontrar uma solução.



Efe: Na campanha pelo país, os senhores falaram com muita gente, de diferentes camadas sociais, minorias de todo tipo. Quais são as principais preocupações que detectou nesse período?

R: Fiz um discurso em Detroit há poucos dias sobre a pobreza de nossa nação. E falei não só das comunidades onde a pobreza está bem visível, mas também daquele em bairros vizinhos aos ricos no nosso país. Há pobreza escondida em comunidades com muitos recursos, e precisamos brigar contra a pobreza. Falei com muitas pessoas nas cidades, em regiões rurais que estão isoladas, em partes do país onde há terras indígenas... Há muitas áreas em nossa sociedade onde as pessoas não encontram oportunidade para suas famílias. Então, oferecer uma economia que funcione para todos é a coisa mais importante para Hillary e para mim. Se temos um plano que pode expandir o PIB, mas não oferece oportunidade aos demais, ele não vale a pena. Precisamos de algo equilibrado, que dê chances às pessoas que estão vivendo em circunstâncias difíceis.



Efe: Restam pouco mais de duas semanas para eleições. Como o senhor fez vários discursos por todo país, se tivesse que escolher uma única mensagem para os eleitores, qual ela seria?

R: Na verdade, duas mensagens. Há uma grande diferença entre Hillary Clinton e Donald Trump, em seus planos, políticas, mas também, e especialmente, em suas visões. Hillary é uma líder que entende que nosso país é mais forte juntos. Que juntos, podemos. É mais que uma frase, está em sua alma. Descreve sua pessoa, sua visão, o futuro de nosso país se Hillary for nossa líder. Donald Trump tem uma mensagem obscura e sem esperança, de divisão. As pessoas estão escolhendo entre uma mensagem de união e de divisão.

A segunda mensagem é importante também: votar é marcar diferença. E o voto latino pode fazer a diferença nesta campanha. O poder do voto latino em estados-chave, como Nevada, Colorado, Virgínia, Flórida, Arizona e Carolina do Norte pode decidir nosso futuro presidente mais do que em qualquer outra eleição em nossa história. É um momento histórico porque Hillary, se Deus quiser, será nossa primeira presidente mulher, mas também porque a comunidade latina tem um poder maior nesta eleição do que em qualquer outra.



Efe: Nos últimos dias, os senhores também estão se esforçando para dar visibilidade aos candidatos democratas ao Congresso para recuperar pelo menos a maioria do Senado. Os latinos sabem da importância de os democratas recuperarem também o Congresso?

R: Acredito que sempre é importante apoiar aos líderes que estão apoiando a comunidade. E nossos senadores democratas respaldam à comunidade latina, especialmente no assunto de imigração, mas não só isso, na educação pública, no plano de saúde. O "Obamacare" (reforma da saúde), por exemplo, está ajudando bastante à comunidade latina neste país. As pessoas agora têm um plano de saúde que antes não tinham, e os democratas vão manter e melhorar o "Obamacare". Trump e os republicanos querem tirar esse projeto importante para a comunidade latina. Por isso, é importante ter um Senado com uma maioria democrata que possa trabalhar com Hillary e fazer nossa nação avançar.

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