Direção do PSOE decide permitir novo governo de Rajoy na Espanha

Madri, 23 out (EFE).- A direção do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) decidiu neste domingo, com uma folgada maioria, se abster na próxima tentativa do conservador e atual presidente interino do Governo, Mariano Rajoy, de seguir no poder, evitando assim a convocação de uma terceira eleição geral em menos de um ano.

A opção pela abstenção venceu com 139 votos a favor e 96 contrários na votação realizada entre 237 membros do chamado Comitê Federal, nome dado à direção do partido. Desta forma, a decisão põe fim ao bloqueio institucional em vigor na Espanha há 300 dias.

A maioria "abstencionista" derrotou os partidários do "não" a Rajoy, um setor alinhado com o ex-secretário-geral do PSOE, Pedro Sanchéz, que renunciou ao cargo no início de outubro exatamente por manter uma postura intransigente em relação a um novo governo.

A resolução afirma que a posição deve ser acatada pelos 85 parlamentares do partido na Câmara dos Deputados, apesar de o PSOE ainda não ter decidido se todos se absterão ou se apenas parte deles. Rajoy precisa que pelo menos 11 deles se abstenham para ser reeleito como presidente do Governo da Espanha.

O parlamento espanhol é formado por 350 cadeiras. Em uma primeira sessão de posse, o candidato precisa de maioria absoluta, isto é, 176 deputados. Na segunda, basta obter maioria simples.

O PSOE disse hoje que votará "não" na primeira sessão e se absterá na segunda. O presidente do comitê que dirige o partido, Javier Fernández, disse que a decisão é "imperativa" para todos.

Além disso, ele afirmou que a não abstenção será "vergonhosa" e que a resolução deve ser "literalmente cumprida". Após o debate do partido a portas fechadas, fontes consultadas pela Agência Efe explicaram que a decisão foi tomada devido à necessidade de "desbloquear a excepcional situação institucional do país".

"Ninguém esconde que não é uma decisão fácil, mas também não contemplamos o exercício da responsabilidade política, nesta conjuntura excepcional, com o papel que viemos desempenhando em nossa democracia constitucional", diz o texto da nota.

Esta é a primeira vez que o PSOE permite que o Partido Popular (PP) governe desde que a Espanha retomou a democracia em 1977. Os porta-vozes do grupo argumentam que essa posição se deve à necessidade de evitar uma terceira eleição.

Os espanhóis foram às urnas nos dias 20 de dezembro de 2015 e 26 de junho de 2016, mas os partidos não entraram em acordo para a formação de um novo governo. O PP, liderado por Rajoy, venceu ambos os pleitos, mas sem obter maioria suficiente para garantir a confirmação do atual presidente interino no poder.

Agora, a decisão do PSOE abre o caminho para um novo governo de Rajoy.

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