Vereador pede investigação de contratos da OAS com a prefeitura de Lima

Lima, 24 out (EFE).- O vereador peruano Hernán Núnez disse nesta segunda-feira que pediu a abertura de uma investigação sobre supostos atos de corrupção nos contratos assinados pela prefeitura de Lima com a empreiteira brasileira OAS na modificação do projeto do corredor viário Linha Amarela e na construção de um viaduto.

Devido à divulgação, na capital do Peru, de conversas realizadas pelo WhatsApp entre Giselle Zegarra, ex-gerente de Investimentos Privados da prefeitura de Lima, e Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS e preso na Operação Lava Jato no Brasil, Núñez disse ao jornal "Peru.21" que os diálogos mostram a proximidade e o bom tratamento dado à empresa.

Nas mensagens, Zegarra alertou Pinheiro em outubro de 2014 sobre problemas e que o município "não poderia assinar o contrato do Rio Verde (projeto de parque que acabou trocado pelo do viaduto 28 de Julho)".

Vai ser um grande problema se assinarmos", escreveu a ex-gerente municipal.

"Lucho me pediu para não o assinarem. Amanhã me reúno com Fracassi (Leonardo Fracassi, funcionário da OAS)", acrescentou Zegarra, citando o prefeito de Lima, Luis Castañeda Lossio, que voltou ao poder em 2015 para um mandato de quatro anos.

Núnez afirmou que a prefeitura de Lima beneficiou a OAS com um contrato de US$ 60 milhões para a construção de um viaduto na Avenida 28 de Julho porque esta é uma "obra que não estava no plano de governo nem no discurso de posse de Castañeda".

O vereador lembrou que a Controladoria da República e o Ministério Público afirmaram em maio que a obra "não tem justificativa técnica de como foram empregados os recursos".

"Nos disseram que custou US$ 60 milhões, mas pode ser que não tenha sido assim, que tenha custado muito menos, e que o excedente tenha sido mal utilizado", afirmou Núñez.

Como antecedente das relações polêmicas entre a empresa e a administração municipal, o vereador citou a cláusula de US$ 74 milhões que foi incluída no contrato da Linha Amarela, uma via expressa com um sistema de pedágios em Lima, assinado com a OAS depois da modificação do contrato inicial negociado com a ex-prefeita da capital Susana Villarán.

As obras da Linha Amarela foram compradas neste ano pela empresa francesa Vinci por 5,5 bilhões de sóis (U$ 1,6 bilhão) da Lamsac, companhia que tinha assumido a concessão após a assinatura do contrato com a OAS.

O cancelamento do projeto Rio Verde e a substituição pelo viaduto foi investigado por uma comissão do Congresso do Peru presidida pelo parlamentar Juan Pari, que também lidou com acusações corrupção na participação de outras empresas brasileiras em projetos no país.

Pari disse ontem à agência estatal "Andina" que todo funcionário público deve assumir responsabilidade pelos seus atos. Neste caso, após a revelação dos novos indícios, o congressista disse que Castañeda deve "dar os esclarecimentos correspondentes".

Segundo Pari, as primeiras suspeitas de irregularidade na Prefeitura de Lima surgiram no primeiro mandato de Castañeda (2003-2006), quando a OAS ganhou a licitação da Linha Amarela.

No dia seguinte à vitória, a OAS assinou um contrato com a Lamsac, que se encarregou de levar adiante a execução do projeto. "Foi o primeiro elemento da investigação que nos chamou a atenção porque era uma companhia com dois meses de vida", explicou.

Pari pediu que o Congresso do Peru retome as investigações derivadas do escândalo da Lava Jato, que não chegaram a uma votação no plenário durante o governo do presidente Ollanta Humala (2011), também citado por aportes irregulares em seu partido.

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