Sinos voltam a soar em cidade iraquiana libertada do EI

Jorge Fuentelsaz.

Bartala (Iraque), 26 out (EFE).- Os sinos da igreja do bairro de Al Adraa, na cidade iraquiana de Bartala, voltaram a soar dois anos e quatro meses depois que seus habitantes, na maioria cristãos, deixaram a cidade perante a iminente chegada dos fundamentalistas do Estado Islâmico (EI).

No entanto, seu repicar só é escutado pelos soldados iraquianos que vigiam esta cidade fantasma que os jihadistas deixaram há apenas alguns dias, não sem antes enchê-la de minas e explosivos.

Na cúpula do templo, os soldados colocaram uma cruz de madeira improvisada e uma bandeira iraquiana, local onde os extremistas mantiveram içado seu estandarte negro depois de arrancar todas as cruzes das igrejas, tanto de Bartala como das outras cidades que caíram em suas mãos.

Junto à igreja fica o antigo centro cultural que os jihadistas usaram como base de operações e no qual os soldados apressaram-se a tachar os símbolos do grupo Estado Islâmico.

Agora está vazio e no pátio ainda está perdurada uma velha caixa de papelão de cerveja Corona, uma bebida proibida pelo Islã e cujo consumo é castigado pelos jihadistas, inclusive com a morte.

No muro do edifício, onde são visíveis em várias partes os destroços causados pelos combates, é possível ler uma inscrição improvisada e escrita precipitadamente "O Estado Islâmico permanecerá e se espalhará com força".

Em um grande número de fachadas de casas é possível ler "esta casa pertence ao Estado Islâmico" ou "esta casa foi embargada pelo Estado Islâmico", que persegue nas terras que domina todas as minorias religiosas e todos aqueles que não compartilham sua visão fanática do Islã sunita.

"Estamos ansiosos para voltar a nossos lares porque foi a primeira vez em quase sete mil anos que nosso povo deixou esta terra", disse à Agência Efe o ex-deputado iraquiano Khales Steifu, que, como o resto dos moradores desta região, situada ao leste de Mossul, deixou sua casa no dia 6 de agosto de 2014.

Steifu, que é também porta-voz do corpo parapolicial da Guarda de Ninawa, calcula que uma vez que o perigo se afaste da região, serão precisos dois meses para limpar a cidade de minas, restabelecer a administração, os serviços, a água e a eletricidade, assim como as escolas, antes que seus habitantes originais possam retornar a suas casas.

"Estamos muito contentes, para nós é um novo nascimento", sentenciou Steifu na entrada da cidade.

Mas as explosões esporádicas e os disparos intermitentes lembram que os combates continuam próximos a Bartala, cujas ruas estão infestadas de cápsulas de projéteis de metralhadora, cabos de eletricidade cortados e lojas queimadas.

Um miliciano das forças de Sahel Ninawa, dependentes das tropas de segurança curdas "peshmergas", se deslocou com as forças especiais iraquianos a Bartala onde beija uma virgem arrancada de uma folha de um calendário, que repousa no assento traseiro de um veículo blindado.

"Sou cristão de Sahel Ninawa, sou de Karakosh (Hamdaniya, em turco), mas este também é meu povoado", assegurou à Efe Husan Salem, que confessa que não pode descrever a alegria que sente por ter voltado pela primeira vez a sua região.

"Dou graças a Deus por ter chegado aqui (...) Colocamos uma cruz na igreja e fizemos soar os sinos", disse sem esconder a satisfação refletida em seu rosto.

Na estrada principal que passa junto ao povoado, situado somente a 9 quilômetros de Mossul, a atividade das tropas iraquianas é constante.

Há um ir e vir contínuo de veículos blindados e tanques, que vão e voltam da ampla frente de combate aberta contra os jihadistas para o começo da batalha para a libertação de Mossul, principal reduto do EI no Iraque.

jfu/ma

(foto) (vídeo)

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