Protestantes fazem contagem regressiva para 500º aniversário da Reforma

Berlim, 27 out (EFE).- No dia 31 de outubro de 2017 serão completados 500 anos desde que Martinho Lutero pregou suas 95 teses contra a venda de indulgências na porta da igreja de Wittenberg (Alemanha), o que deu origem à reforma protestante e de diversas igrejas com milhões de fiéis.

O "Ano Lutero" começa na próxima segunda-feira, ponto alto do que a Igreja evangélica alemã - a maior organização protestante do país - chamou a década da reforma, na qual foram promovidos diversos atos para divulgar sua história.

A intenção inicial de Lutero, segundo o consenso atual entre os historiadores, não era gerar um cisma dentro do Cristianismo, mas reformar interiormente a Igreja Católica e as práticas que considerava corruptas.

O núcleo de sua argumentação contra a venda de indulgências era o de que a salvação é alcançada pela graça, não pelas obras, e com isso dar dinheiro à Igreja pelo perdão dos pecados não fazia sentido.

Ou seja, ninguém se salva por si mesmo, mas pela vontade de Deus, e a única coisa que resta ao ser humano é, com humildade e sem supervalorizar seus próprios méritos, procurar ser digno da graça divina dia a dia.

O segundo pilar da teologia luterana era a leitura direta da Bíblia, cuja mensagem Lutero opunha em muitos aspectos à doutrina oficial católica e, antes de tudo, ao comportamento de muitos clérigos.

A Igreja, segundo sua opinião, não tinha o monopólio da interpretação da Bíblia, mas cada crente tinha que se confrontar com ela.

Outro elemento essencial, sobretudo na prática, foi a abolição do celibato .

As teses de Lutero foram um estímulo para outros reformadores em outros lugares da Europa, que acrescentaram novos elementos a um movimento que se estenderia pela Europa Ocidental.

A fundação de novas igrejas respondeu em algumas ocasiões a razões fundamentalmente teológicas, como o caso de Calvino na Suíça, ou antes de tudo políticas, como ocorreu com Henrique VIII na Inglaterra com a Igreja Anglicana.

Na Alemanha, o berço da reforma, a maior organização protestante é a Igreja Evangélica, que na realidade é uma federação de 20 igrejas diferentes, algumas luteranas e outras calvinistas, com 24 milhões de fiéis.

Em nível internacional, destaca-se a Federação Luterana Mundial, à qual estão ligados 145 igrejas e 74 milhões de fiéis e que na próxima segunda-feira lembrará na Suécia os 500 anos do cisma junto com o papa Francisco.

No entanto, a liberdade religiosa sobre a qual se firma a Reforma Protestante faz com que, junto com essas grandes organizações, coexistam muitas pequenas igrejas em diversas partes do mundo.

Filiadas ou não a entidades maiores, mantêm sempre uma independência doutrinal e teológica de acordo com o que Lutero chamava em um de seus escritos mais conhecidos "a liberdade do cristão".

Isso faz com que dentro do protestantismo haja tanto correntes extremamente conservadoras e até fundamentalistas, como se vê com frequência em algumas igrejas nos Estados Unidos e na América Latina, como outras altamente progressistas.

Em todo caso, a flexibilidade de suas estruturas permitiu aos protestantes avançar em muitos aspectos mais rapidamente que os católicos, como no caso do sacerdócio feminino.

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