Trump corre contra o tempo para diminuir vantagem de Hillary

Jairo Mejía.

Washington, 27 out (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, seguiu sozinho nesta quinta-feira com sua campanha em Ohio e na Carolina do Norte, confiante de que as pesquisas que o colocam atrás de sua rival democrata, Hillary Clinton, estão erradas, enquanto esta contou de novo com um imã de multidões: a primeira-dama Michelle Obama.

Ohio e Carolina do Norte, assim como a Flórida, outro estado onde Trump vem se concentrando nos últimos 12 dias que faltam para as eleições, são peça fundamental na estratégia do republicano para conseguir os 270 votos no colégio eleitoral, que são determinados por cada estado em função de seu peso demográfico, e que lhe dariam a chance de chegar à Casa Branca.

Em Springfield (Ohio), Trump criticou hoje a "estupidez" do presidente dos EUA, Barack Obama, por "mentir" na tramitação de uma reforma da saúde para universalizar as coberturas, cujos preços subirão agora entre as famílias de classe média que adquiriram planos diferentes dos que são oferecidos pelos empregadores.

Trump está utilizando esta nova revelação como arma contra o atual governo e Hillary, a quem chamou de "a pessoa mais corrupta que já tentou ser presidente" dos EUA.

O candidato republicano criticou a gestão da Fundação Clinton após as revelações do Wikileaks que expõem as tensões pelos benefícios econômicos que o ex-presidente Bill Clinton obteve para oferecer palestras, aproveitando a estrutura e a imagem da fundação.

"Se fizeram isso fora da Casa Branca, imaginem o que os Clintons vão fazer quando voltarem ao Salão Oval (...). Francamente, já tivemos o suficiente com os Clintons", comentou Trump, que acrescentou que, se chegar ao poder, atacará a elite política de Washington, uma iniciativa para a qual cunhou a frase "drenaremos o lamaçal".

Além disso, o magnata reiterou algumas de suas propostas, como impor mais tarifas contra a China, construir o muro na fronteira com o México - cujo pagamento caberá ao país latino-americano que, segundo Trump, "está fazendo uma fortuna com o comércio" com os EUA - e suspender totalmente o programa de acolhimento de refugiados sírios vítimas da guerra civil.

Após passar na Flórida os últimos três dias, Trump concentrará suas forças nesta semana para tentar ampliar sua vantagem nas pesquisas em Ohio, que é de apenas um ponto, segundo a média elaborada pelo site "RealClearPolitics", que lhe dá vantagem apenas nesse 'swing state' e em Iowa.

As chances de Trump de conseguir os 270 votos no colégio eleitoral estão cada vez mais estreitas e passam por uma vitória em Iowa, Flórida, Ohio e Carolina do Norte, além dos redutos republicanos mais tradicionais, e outros 28 votos no colégio eleitoral de uma lista reduzida de estados ainda em disputa, que deveriam incluir Pensilvânia (20 votos no colégio eleitoral), mais uma combinação entre Nevada (6), Utah (6) e New Hampshire (4).

A missão quase impossível de Trump requer um triunfo na Pensilvânia, onde as pesquisas dão uma vantagem de 5 pontos para Hillary.

A ex-secretária de Estado também investiu hoje na Carolina do Norte, mais uma vez com o apoio de um dos pesos pesados do Partido Democrata, figuras com as quais vem apostando nesta reta final de campanha, que também a levou à Flórida no início de semana, onde sua vantagem nas pesquisas não chega a dois pontos.

Em Winston-Salem (Carolina do Norte), Hillary esteve acompanhada pela primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, um imã de multidões como seu marido, Barack Obama, e uma desvantagem para Trump, que é desprezado pela maior parte da cúpula republicana.

Hillary insistiu na necessidade de os eleitores votarem no dia 8 de novembro pela importância histórica deste pleito, e prometeu empregos de qualidade, educação superior acessível e inclusão para as mulheres e minorias como homossexuais, hispânicos e afro-americanos.

A candidata democrata pediu aos eleitores que não permitam que o progresso conseguido nos oito anos de Obama "escape das nossas mãos", enquanto garantiu que "o sonho americano é grande o suficiente para todos".

A primeira-dama voltou a repetir o mantra democrata: "Hillary Clinton é a pessoa mais preparada para ocupar a Casa Branca. Tem mais experiência e exposição ao cargo que nenhum outro presidente na história (...) e, ainda por cima, é uma mulher".

Além disso, Michelle Obama afirmou que Trump quer que a campanha seja obscura e negativa e que ele fez acusações de que sistema eleitoral está "fraudado" para incentivar as pessoas a não votar.

A matemática eleitoral de Hillary parece mais fácil que a de Trump, pois se ela ganhar somente nos estados em que sua vitória já é praticamente garantida, além dos estados que se inclinam nas pesquisas a seu favor com amplas margens - como Pensilvânia, Colorado, Nevada e Virgínia -, a ex-secretária de Estado praticamente já teria garantido a presidência no dia 8 de novembro. EFE

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