Greve geral convocada pela oposição venezuelana é cumprida de forma parcial

Em Caracas

A greve geral de 12 horas convocada para esta sexta-feira pela oposição venezuelana é cumprida de forma parcial em Caracas. Alguns bancos e estabelecimentos comerciais e escritórios abriram as portas, mas principais ruas estejam com menos movimento que um dia normal.

Na véspera da paralisação, o presidente Nicolás Maduro anunciou um aumento de 40% no valor do salário mínimo.

Além disso, o governo ameaçou se apropriar de qualquer empresa que respeitasse a greve, e enviou inspetores para ter certeza de que iriam funcionar. Além disso, colocou agentes de inteligência do lado de fora da maior fabricante de cerveja e alimentos da Venezuela, a Polar, que trabalhou normalmente.

Diante da possibilidade de serem presos se incentivassem a paralisação, os proprietários de negócios disseram que a decisão caberia a cada empregado em particular.

A paralisação no comércio e em escritórios foi seguida em maior parte na zona leste da cidade, enquanto nos bairros populares a participação foi menor. Os colégios ficaram quase desertos pela ausência de alunos, assim como universidades e institutos tecnológicos.

Na populosa região de Petare, a maior favela da América Latina, a atividade praticamente não foi interrompida, segundo disseram à Agência Efe moradores do bairro.

Boris Vergara/Xinhua
Lojas ficam fechadas durante greve convocada pela oposição, em Caracas, na Venezuela


Maduro advertiu na quinta-feira que o governo venezuelano faria uma inspeção às empresas dos setores agroindustrial e farmacêutico do país e que aquelas aderissem à greve geral convocada pela oposição seriam "recuperadas pela classe operária".

"Empresa parada, empresa recuperada pela classe operária. Não vou hesitar nem aceitar nenhum tipo de conspiração", declarou Maduro.

Alguns cidadãos consultados nesta sexta-feira pela Efe disseram que se não trabalharem "não comem", e outros falaram que deveriam pedir autorização para faltar ao trabalho.

A greve foi convocada pela aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) como parte da agenda de protestos pela suspensão do processo para ativar um referendo para revogar Maduro e também contou com o respaldo da Confederação de Trabalhadores da Venezuela.

Por meio da rede social Twitter, a MUD expressou que "as ameaças do governo não intimidaram a população" e publicou uma imagem uma das principais avenidas de Caracas sem trânsito.

"Vamos parar Venezuela um dia, para que a luta não termine nunca. Há 48 horas o chamado foi para sair às ruas. Hoje, faremos o contrário, ficaremos em casa", disse nesta sexta-feira o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, em seu programa de rádio "A força é a união", transmitido pela emissora privada "RCR".

"O governo está há 17 anos paralisando o país em guerra econômica contra as pessoas de trabalho", criticou Torrealba, que garantiu que a administração de Maduro "tem os dias contados" porque "destruiu a si mesma".

Principal promotor do referendo, Henrique Capriles, disse pelo Twitter que "a jornada de protesto de hoje é absolutamente voluntária" e que "os venezuelanos exigem que Maduro e sua cúpula respeitem a Constituição".

"A solidão das ruas em sintonia com a solidão da cúpula corrupta do Partido Socialista Unido da Venezuela. Que termine o golpe e respeitem a Constituição", afirmou o opositor.

O dirigente chavista Ernesto Villegas garantiu ao canal estatal "VTV" que "o povo não acatou a greve" convocada pela oposição.

Na conta do Twitter desse mesmo canal foram publicadas imagens de pessoas em seus postos de trabalho, assim como o transporte público com passageiros.

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