Na Suécia, papa agradece governos que acolhem refugiados

Malmö (Suécia), 31 out (EFE).- O papa Francisco agradeceu a solidariedade dos governos que "assistem refugiados, deslocados e pessoas que solicitam asilo", durante seu discurso no ato ecumênico de comemoração aos 500 anos da Reforma Luterana que ele participou nesta segunda-feira na cidade sueca de Malmö.

Francisco participou do evento organizado pela Federação Luterana Mundial, no Palácio dos Esportes, e lá, entre cânticos e leituras, ouviu o depoimento de quatro pessoas sobre temas atuais, em uma reunião que também contou com o bispo de Aleppo, Antoine Audo.

"Depois de ouvir esses testemunhos fortes que nos fazem pensar sobre nossas vidas e como reagimos a situações de necessidade que estão ao nosso lado, gostaria de agradecer a todos os governos por ajudar os refugiados, deslocados e aqueles em busca de asilo, porque qualquer ação em nome dessas pessoas que têm necessidade de proteção é um grande gesto de solidariedade e reconhecimento de sua dignidade", afirmou o papa.

Francisco pediu então que estas histórias motivem luteranos e católicos "a trabalhar cada vez mais unidos" e lembrou que graças a este novo clima de entendimento entre ambas as Igrejas, "hoje a Caritas Internacional e a Federação Luterana Mundial assinarão uma declaração comum de acordos, a fim de desenvolver e consolidar uma cultura de parceria para a promoção da dignidade humana e da justiça social".

Um dos testemunhos que o pontífice ouviu foi o da indiana Pranita Biswasi, de 26 anos, que falou sobre os efeitos da mudança climática em seu país e de suas trágicas consequências dele.

"Hoje, meu trabalho na Igreja Evangélica Luterana envolve um compromisso com outros jovens sobre questões ambientais e de justiça social", afirmou ela, que mora em Odisha, onde a maior parte da população vive abaixo da linha da pobreza.

Francisco compartilhou da dor da jovem e disse que "os abusos ao planeta geram graves consequências também para o clima".

"Como bem lembrou, (as consequências do clima) muitas vezes recaem sobre as pessoas mais vulneráveis ??e com menos recursos, que são forçadas a emigrar para se salvar dos efeitos da mudança climática", disse.

O segundo testemunho foi do diretor da Cáritas Colômbia, monsenhor Hector Gaviria, que falou sobre a cooperação de católicos e luteranos em seu país e que pediu ao papa orações para o fim efetivo do conflito armado colombiano.

"A boa notícia é que os cristãos estão unidos para criar uma comunidade e processos sociais de interesse comum. Peço uma oração especial para este grande país para a cooperação de todos possa finalmente alcançar a paz", pediu o pontífice.

Outro depoimento foi o de Marguerite Barankitse, refugiada do Burundi e que desde 1993 cuida de órfãos em Ruanda. A ela, o papa encorajou "a continuar seguindo" para que "essa voz de esperança" toque o coração de muitos jovens. Marguerite, que trabalha em uma associação católica, adotou sete crianças desde que chegou a Ruanda.

Neste ato, o último depoimento foi o da atleta Rose Lokonyen, de 23 anos e porta-bandeira do time dos refugiados nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Rose, que fugiu do Sudão do Sul, hoje mora no Quênia e, para Francisco, o seu testemunho foi "realmente comovente".

"Em vez de desperdiçar suas forças na luta contra a adversidade, ela as usou para uma vida produtiva. Quando ouvi a sua história, veio à minha mente as vidas de muitos jovens que precisam de depoimentos como o seu", disse o pontífice.

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