Turquia prende e acusa jornalistas de colaborar com curdos e com Gülen

Istambul, 31 out (EFE).- Os jornalistas detidos nesta segunda-feira na operação feita no prestigiado jornal opositor "Cumhuriyet" foram acusados de colaborar tanto com a guerrilha curda quanto com a grupo do teólogo e escritor exilado Fethullah Gülen, informou o diário "Hürriyet".

Ao todo, 11 diretores e redatores do "Cumhuriyet", de orientação centro-esquerda, foram detidos nesta manhã, enquanto há ordem de detenção contra outros dois profissionais que estão no exterior. Existe ainda uma nova ordem de prisão contra Can Dündar, ex-diretor do jornal e que foi condenado em maio a cinco anos de prisão por "revelar segredos do Estado" em uma reportagem sobre o envio turco de armas à Síria, apesar do Supremo anular a sentença e pedir a repetição do julgamento, que continua.

A Promotoria de Istambul acusa vários dos detidos de "serem membros do PKK e do FETÖ", em referência ao Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK) e da confraria de Gülen, que governo descreve como "Organização terrorista Fethullah Gülen (FETÖ)", apesar de ambos os movimentos serem ideologicamente opostos.

"Há anos, transformo as minhas vivências em caricaturas, mas agora acho que estou vivendo eu mesmo dentro de uma; sinto isso", disse ao "Hürriyet" o cartunista Musa Kart, que foi à redação do "Cumhuriyet", em Istambul, para se entregar à Polícia.

Kart já tinha sido acusado, em 2005, pelo então primeiro-ministro e atual presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por uma charge que o apresentava em forma de gato, mas o julgamento, o primeiro realizado contra o humor político, terminou em absolvição.

Segundo o "Hürriyet", os jornalistas detidos hoje passarão cinco dias na delegacia, sem acesso a advogados, antes de serem levados a julgamento, ação que é possível diante do estado de emergência decretado em julho após o fracassado golpe militar e que foi prorrogado por 90 dias.

Todas as associações de jornalistas da Turquia condenaram as detenções, que qualificam de "caça às bruxas", e exigiram que o governo "volte a respeitar a lei".

Fundado em 1924, o jornal "Cumhuriyet" tem tiragem de 50 mil exemplares e é conhecido por suas reportagens investigativas. Em setembro deste ano, recebeu o prêmio Right Livelihood Award, entregue na Suécia e conhecido como "Nobel Alternativo". Na descrição, a organização do prêmio argumentou que a publicação foi eleita por "seu jornalismo investigativo sem medo e compromisso com a liberdade de expressão em face das ameaças de opressão, censura, prisão e morte".

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