Cruz Vermelha: medo é o maior problema da população afetada por terremotos

Roma, 1 nov (EFE).- A Cruz Vermelha italiana afirmou nesta terça-feira que os afetados após os terremotos recentes que sacudiram o centro da Itália experimentam diariamente medo e angústia, porque "os tremores da terra não param".

"Para a população afetada, digamos que o maior problema é o medo, mas também a angústia, porque os tremores de terra não param, praticamente toda hora são sentidos novos sismos", descreveu o porta-voz da Cruz Vermelha na Itália, Tommaso Della Longa, em entrevista telefônica à Agência Efe.

No dia 26 de outubro, vários terremotos - o maior de magnitude 5,9 - sacudiram o centro da Itália e causaram vários danos em populações como Visso, Ussia, Preci, Camerino, Norcia e Castelsantangelo sul Nera, nas regiões de Úmbria e Las Marcas.

Os sismos e as réplicas continuaram desde então e de fato, no dia 30 de outubro, o centro da Itália voltou a tremer quando um sismo de magnitude 6,5 - o mais potente desde 1980 - destruiu novas edificações nas localidades afetadas.

Della Longa explicou que esses episódios recentes representaram "um duro golpe psicológico" para essas pessoas, porque ocorreram dois meses depois do terremoto de 24 de agosto, que provocou a morte de 297 pessoas e a devastação de municípios como Amatrice, "que já estava se recuperando".

A organização trabalha nessas regiões dando apoio psicológico aos desalojados, com especial atenção para idosos e crianças, disse Della Longa, pois são os "grupos mais vulneráveis" e necessitam de ajuda adicional para "aceitarem e compreenderem a situação".

No caso dos mais velhos, o porta-voz acrescentou que estes estão "muito ligados ao território" porque viveram toda sua vida nessas localidades situadas aos pés dos montes Apeninos e, talvez, seus antepassados também eram parte desses territórios.

"Afastá-los dessas regiões é muito complicado e eles necessitam de uma atenção especial", reconheceu Della Longa.

As crianças também precisam de assistência especial para superar o trauma, para que isto "não os acompanhe durante toda a vida", segundo o funcionário da organização humanitária.

Por isso, o porta-voz acrescentou que a Cruz Vermelha instalou ludotecas na região e desenvolve diversas atividades criativas com os pequenos.

"Por exemplo, ontem fantasiamos as crianças por causa do Halloween, o que pode parecer uma bobagem, mas já é algo que passa uma ideia de normalidade, que eles necessitam neste momento", comentou Della Longa.

Além da ajuda psicológica, a Cruz Vermelha também proporciona alimentos, bebidas, cobertores e assistência sanitária aos milhares de deslocados que se viram obrigados a deixar suas casas porque estas ficaram reduzidas a escombros, ou porque apresentam risco de desabar por consequência de novos tremores.

Neste momento, mais de 15 mil pessoas, segundo dados da Defesa Civil, permanecem em acampamentos, instalações e centros de acolhimento localizados em áreas consideradas seguras.

Mas, também, há outros que dormem em suas barracas ou em seus veículos, perto das localidades onde vivem.

Por isso, Della Longa explicou que estão sendo "instalados cozinhas portáteis" e que a Cruz Vermelha está "trabalhando com o exército para montar tendas de campanha com calefação" nas quais as pessoas possam suportar as baixas temperaturas e as condições meteorológicas adversas da melhor maneira possível.

"Há algumas pessoas que permanecem ainda nesses municípios porque são, por exemplo, agricultores que não querem deixar o território, mas também há outras que dormem no litoral e que diariamente retornam aqui para ver como estão suas casas", comentou o porta-voz da Cruz Vermelha italiana.

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