Escola de jesuítas capacita deficientes físicos no Camboja

Ximena Hessling.

Phnom Penh, 1 nov (EFE).- Prom Sophea tem 30 anos e perdeu uma das perna na adolescência em um acidente com uma mina terrestre; após estudar sobre confecção começou a trabalhar na escola dos jesuítas Banteay Prieb ("Casa da Pomba"), situada perto de Phnom Penh, a capital do Camboja, e a única do país a oferecer formação profissional a pessoas especiais.

Conforme estimativas, dos 15 milhões de habitantes do Camboja, 4% têm algum tipo de deficiência física causada por minas terrestres, acidentes ou doenças, como a poliomielite.

Prom Sophea é ex-aluna escola que o Serviço Jesuíta do Camboja abriu em 1991, com o apoio da Organização Manos Unidas, e não por acaso a pomba está no nome e símbolo da instituição. A escola usa hoje um espaço que no passado foi propriedade do Exército e que era usado como centro de transmissões militares com pombos-correio.

Atualmente, com 115 estudantes, o Banteay Prieb tem alunos com idades entre 18 e 40 anos e cursos profissionalizantes com duração de um ano em áreas como eletrônica, mecânica, agricultura, confecção, escultura e maquiagem.

Klieng Vann, de 49 anos, que sofreu a amputação de uma perna também em um acidente com mina terrestre, mas quando era soldado em 1990, é agora professor de eletrônica na escola, após ter passado por suas salas de aula.

Segundo ele, 80% dos estudantes da Banteay Prieb conseguem um emprego quando terminam o curso. Antes, apenas 10% dos deficientes conseguiam algum tipo de trabalho.

"Quando se formam, os alunos encontram trabalho e têm sucesso na vida. Depois da escola, eles vivem uma grande mudança. Já não têm mais medo de sair de casa, conquistam autonomia e independência", explica o agora professor.

Os estudantes geralmente vêm das regiões rurais do Camboja, onde carecem de terra, de formação acadêmica e mercado de trabalho. A escola permite que eles ganhem habilidades técnicas e sociais, além de melhorar e obter maiores responsabilidades em suas comunidades.

Durante o período de estudo, eles se hospedam em casas tradicionais, onde vivem em grupos de dez pessoas e administram a própria vida nas comunidades, participando das tarefas domésticas, sob a supervisão de professores e voluntários.

A chefe da Manos Unidas no Sudeste Asiático, Patricia Garrido, ressalta que com a Banteay Prieb as pessoas podem ter formação, renda e se inserir na sociedade.

"A formação e a convivência com iguais oferece a oportunidade de eles ficarem autossuficientes e de normalizar a incapacidade, elevar a autoestima e encontrar um lugar na sociedade cambojana", explica ela.

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